"Tudo o que é demais enjoa" parece ser um provérbio que não se aplica no caso dos smartphones e uma nova investigação pode ser exemplo disso mesmo. Uma análise sistemática publicada no final de novembro identificou uma utilização problemática dos telemóveis (PSU, na sigla em ingês) em uma em cada quatro crianças e jovens, o que pode ter efeitos na saúde mental.

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Definindo a PSU como o uso de smartphones associado a pelo menos um elemento de utilização disfuncional, como ansiedade quando o utilizador não tem acesso ao telemóvel, os investigadores estabeleceram relações deste vício com vários problemas de saúde mental. Segundo a avaliação, 23% dos jovens utilizavam de forma problemática os smartphones,  ficando por exemplo ansiosas por não poderem usar o telefone.

A utilização problemática dos telemóveis pode estar associada a uma maior probabilidade de depressão, ansiedade, stress e uma pior qualidade de sono.

Citada pela BBC News, a investigadora Nicola Kalk, do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College London, fala numa "necessidade de consciencialização pública sobre o uso dos smartphones por crianças e jovens", numa altura em que os pais devem estar cientes de quanto tempo passam os filhos com os telefones”. “Os smartphones estão aqui para ficar, por isso, é necessário entender a prevalência do seu uso problemático”, acrescenta.

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Realizada a partir da análise de 41 estudos realizados entre 2011 e 2017 que envolveram 42 mil jovens, a investigação teve como objetivo analisar a prevalência da PSU e a associação com problemas de saúde mental. Ainda assim, os investigadores consideram necessário o desenvolvimento de mais estudos para determinar a fronteira entre a utilização benéfica e prejudicial da tecnologia, para ser possível delinear estratégias para reduzir os riscos para a saúde.

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