Em 1999, chegou ao mercado uma tecnologia que permitia conectar dispositivos fixos e móveis a curta distância por meio de uma frequência de rádio de ondas curtas.

Era o Bluetooth, que provavelmente está presente no seu celular e outros aparelhos eletrônicos, mas cujo nome talvez você nunca tenha entendido — em tradução livre do inglês, algo como “dente azul”.

Mas o que um dente tem a ver com esta tecnologia nascida na virada para do milênio? É preciso voltar alguns séculos e viajar para os países nórdicos da Europa.

Rei viking

Uma placa de ouro registra o batismo do rei Harald Gormsson
Uma placa de ouro registra o batismo do rei Harald Gormsson; ele introduziu o cristianismo na Escandinávia créditos: Getty Images

O “Bluetooth original” era Harald Gormsson, apelidado de Blåtand (Dente Azul, em dinamarquês), rei da Dinamarca de 958 a 986, e também da Noruega, quando a conquistou a partir do ano 970.

Gormsson introduziu o cristianismo na Dinamarca e consolidou seu poder sobre a maior parte da Jutlândia e da Zelândia, respectivamente a maior porção continental e a maior ilha da Dinamarca.

Existem várias versões para explicar seu apelido. Diz-se que ele era chamado assim porque não tinha uma aparência muito nórdica, tendo pele morena e cabelos escuros — blå, é “escuro” para os antigos nórdicos.

Outra, mais difundida, diz que ele tinha um dente azulado ou escuro por conta de uma doença.

Um milênio depois, o apelido foi ressuscitado no Vale do Silício, parte do Estado americano da Califórnia que concentra muitas das principais empresas de tecnologia do mundo.

Saga nórdica

Em uma reunião de expoentes da indústria de computadores realizada em 1996 com objetivo de padronizar a tecnologia de conectividade por ondas curtas estava Jim Kardash, da Intel.

Dizem que Kardash, encarregado de desenvolver essa tecnologia para laptops, estava lendo o livro The Long Ships, um romance que conta as aventuras dos vikings e como Harald “Bluetooth” Gormsson conseguiu unificar as diferentes tribos dinamarquesas sob sua coroa.

Kardash, que trabalhava para conseguir que dispositivos diferentes se comunicassem sem fio, encontrou um paralelo entre Harald “Bluetooth” e a nova tecnologia, e o apelido do rei virou o nome da ferramenta.

O site oficial da Bluetooth diz que Kardash afirmou, na época: “O rei Harald Bluetooth ficou famoso por unificar a Escandinávia da mesma maneira que estavamos tentando unificar as indústrias de computadores e celulares com uma conexão sem fio de curto alcance”.

No entanto, o mesmo site reconhece que o nome era apenas provisório, até que surgisse algo mais atraente.

Mas com a consagração da tecnologia, prevaleceu também o nome.

Imagem com ilustrações gráficas representa conexão Bluetooth entre celular e outras telas
A tecnologia Bluetooth unifica diferentes dispositivos da mesma maneira que 'o rei Harald Bluetooth... ficou famoso por unificar a Escandinávia" créditos: Getty Images

Logotipo rúnico

A relação entre a tecnologia Bluetooth e a Escandinávia não para aí.

O logotipo usa símbolos rúnicos — letras características de línguas germânicas e escandinavas da época.

O Bluetooth se distingue pela fusão das runas H e B, as iniciais do Harald Bluetooth. Esse é o símbolo que aparece na barra de menu, na parte superior da tela dos dispositivos toda vez que você liga as configurações do Bluetooth.

Símbolos rúnicos
Logo do Bluetooth recorre a símbolos rúnicos créditos: Getty Images

Deve-se notar que os pioneiros dessa tecnologia no final dos anos 80 foram Nils Rydbeck e Johan Ullman, dois suecos.

Em outras palavras, dois escandinavos.

E a reunião histórica realizada em 1996 para padronizar o sistema de conectividade incluiu as empresas Ericsson e Nokia, na época gigantes da tecnologia móvel.

A primeiro é sueca e a segunda, finlandesa, regiões nórdicas dominadas séculos atrás pelos vikings.


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