Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger – as três últimas são detidas pela primeira – começaram a registar falhas na quarta-feira à tarde, o que provocou uma cascata de reclamações no website downdetector.com, que monitoriza problemas quando se trata de aceder a determinados websites, incluído o rival Twitter.

"Deveriam olhar-se ao espelho", escreveu uma utilizadora, identificada com o nome de Johannam, no Downdetector. "Fazem parecer o fim do mundo só porque não podem aceder ao Facebook. Tenham uma vida real, ao invés de uma digital”, desabafou.

Alguns meios de comunicação afirmaram que esta falha do Facebook foi a maior da sua história.

"Já funciona por aqui... por enquanto... Mas estou prevendo um baby boom [nascimento em massa de bebés] daqui a nove meses. Lembram-se do dia em que o Facebook caiu e as pessoas foram obrigadas a prestar atenção a outra [pessoa]?", brincou mais uma utilizadora, registada com o nome de Palmina D'Allesandro.

No Twitter, as hashtags #facebookdown e #instagramdown eram usadas por internautas, entre reclamações e ironias.

A falha, de origem desconhecida, permitia em muitos casos que os utilizadores acedessem às plataformas, mas sem a possibilidade de publicar ou interagir com as notificações.

Facebook nega que tenha ocorrido um ataque DDos

A empresa, que tem mais de 2 mil milhões de utilizadores, reconheceu a instabilidade depois demuitas pessoas alertaram, via Twitter, que não conseguiam entrar no Facebook ou que as funções da rede social estavam limitadas.

A rede social explicou que estava a fazer os possíveis para resolver o problema e informou que a falha não estava relacionada com um ciberataque do tipo DDos, ou seja, um "ataque de negação de serviço", que acontece quando os servidores são afetados por uma avalanche de pedidos de conexões.

Em novembro do ano passado, o Facebook foi igualmente abaixo, mas, nesse caso, o problema foi atribuído a um problema dos servidores, enquanto a falha registada em setembro anterior foi supostamente provocada por "problemas de rede".

Ao que parece, o ‘apagão’ do Facebook foi benéfica para rivais como o Twitter e, ainda, para o serviço de mensagens Telegram, que, segundo o seu fundador, Pavel Durov, ganhou três milhões de utilizadores nas últimas 24 horas.

Tudo isto a meio de uma investigação criminal 

A juntar a este problema, é preciso não esquecer que o jornal The New York Times informou, na passada quarta-feira, que procuradores federais de Nova Iorque iniciaram uma investigação sobre a partilha de dados de utilizadores do Facebook a outras empresas, nomeadamente fabricantes de smartphones, muitas vezes sem autorização.

Segundo o jornal, o grande júri de Nova Iorque exigiu, oficialmente, que "ao menos dois importantes fabricantes de smartphones" dêem informações sobre este tipo de acordo com o Facebook.

A maneira como o Facebook administra as informações de seus utilizadores parece ser uma polémica sem fim, até porque, no ano passado, a empresa admitiu que a Cambridge Analytica, uma empresa de consultoria política que trabalhou para a campanha de 2016 de Donald Trump, utilizou uma aplicação que, supostamente, obteve dados particulares de 87 milhões de utilizadores.

"Como afirmámos antes, estamos cooperando com os investigadores e levamos a sério as investigações. Demos depoimentos públicos, respondemos a perguntas e prometemos que continuaremos a fazê-lo", disse um porta-voz da empresa.

O Facebook anunciou uma série de medidas para melhorar o modo como administra as informações, incluindo a cessação de relações com a maior parte das empresas externas com quem colabora na troca de dados.