Em 2019, um conjunto de imagens recolhidas pelo rover Yutu-2, da missão chinesa Chang’e-4, revelaram a existência de uma substância gelatinosa de cor estranha numa pequena cratera situada no lado mais negro da Lua. Agora, uma análise mais profunda apresenta uma resposta à descoberta que deixou os cientistas intrigados.

De acordo com o estudo publicado na revista Earth and Planetary Science Letters, levado a cabo por investigadores da Chinese Academy of Sciences, a substância identificada é o resultado do derretimento de rochas devido ao impacto de meteoritos ou de erupções vulcânicas.

Os cientistas tiveram por base os achados da Chang’e-4 em setembro de 2019. A sonda terá sido capaz de detetar o "gel" inspecionando a cratera com uma ferramenta espectroscópica conhecida como VNIS (Visible and Near-Infrared Spectrometer). A tecnologia é capaz de determinar a composição química de uma substância ao analisar a luz que essa matéria reflete.

Recorde-se que, na altura em que a descoberta foi feita, já se suspeitava que a substância se podeira tratar de vidro derretido pelo calor de meteoritos que atingiram a superfície lunar, deixando uma cratera no local.

A descoberta foi também comparada a uma outra substância lunar "misteriosa" encontrada durante a missão norte-americana Apollo 17, em 1972, que deu conta da existência de solo cor de laranja no satélite natural. A origem é atribuída a uma erupção vulcânica datada de há 3,54 mil milhões de anos.

Em entrevista ao website Space.com, Dan Moriarty, do Goddard Space Flight Center da NASA afirma que a exploração do “lado oculto” da lua é um desafio, pois não existem amostras que possam ser usadas para criar modelos de análise. O investigador indica ainda que há a possibilidade de os resultados do estudo chinês não serem totalmente exatos.

Para já, as conclusões da investigação da Chinese Academy of Sciences não são definitivas. Os cientistas sublinham que a análise teve limitações relacionadas com a falta de iluminação que poderá ter influenciado as medições feitas através do VNIS.

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