Homens e mulheres cavam raízes silvestres, das poucas plantas comestíveis que sobreviveram o arrasto das águas, quando as cheias inundaram várias aldeias do distrito de Sussundenga em Março, enquanto outros fervem mangas verdes, para fazer papas e alimentar famílias inteiras em zonas com raros relatos de fome e considerado celeiros da província.

“Algumas pessoas estão a comer tubérculos do mato; munhanha, dhale. Outras pessoas estão a cozinhar mangas verdes, costumam por sal para dar um pouco de força”, disse Tircha Almeida, um sobrevivente.

“Comemos as papas de mangas só para nos mantermos vivos”, acrescentou Rosalina Joaquim, que denuncia também escassez da fruta devido à mais baixa produção de todos os tempos, igualmente devido aos efeitos do ciclone.

Simone Tenesse, teve um parto há uma semana e a falta de uma alimentação adequada começou a ter consequências na alimentação da filha, que já nasceu com baixo peso.

“Preciso de comida para eu dar de mamar. Se eu não comer, não tenho como produzir leite para dar criança”, lamenta a mãe pela primeira vez.

Falta de apoio

As autoridades locais estimam que três mil famílias, uma média de 15 mil pessoas, vitimas do ciclone estejam a enfrentar fome, sobretudo na localidade de Mabaia, que fica entre os rios Lúcite e Buzi.

O grupo está fora das estatísticas das organizações humanitárias que apoiam as vitimas do ciclone Idai, que agora têm as suas acções viradas aos bairros de reassentamentos, criados depois da tempestade.

“As organizações (humanitárias) precisam ser abrangentes”, apelou Tomás Razão, chefe do posto administrativo de Dombe, salientando que várias famílias que regressaram às suas zonas após o ciclone ficaram do universo das pessoas a serem ajudadas.

O ciclone Idai matou em Março mais de 600 pessoas e devastou quase um milhão de culturas diversas, já na fase de colheita.

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