Entre os arguidos estão moçambicanos, tanzanianos, somalis e cidadãos naturais do Burundi e República Democrática do Congo, disse a fonte.

O Ministério Público acusa os arguidos de cinco crimes: homicídio qualificado, posse de armas proibidas, associação para delinquir contra a organização do Estado, instigação ou provocação à desobediência coletiva e perturbação da ordem e tranquilidade pública.

Do total de arguidos, a maioria dos quais estão detidos, 42 são mulheres e 147 são homens.

A maioria, sem posses para contratar defesa, é representada por advogados estatais.

A audiência decorreu na cadeia de Mieze, distrito de Metuge, a cerca de 15 quilómetros da capital da província de Cabo Delgado, onde estão encarcerados os arguidos do sexo masculino.

Os arguidos do sexo feminino estão detidos na cadeia de máxima segurança de Pemba, vulgo "BO", por insuficiência de espaço em Mieze.

O primeiro dia de julgamento foi dedicado à leitura da acusação pelo Ministério Público e do despacho de pronúncia pelo juiz da causa.

Os trabalhos duraram cerca de três horas e vão ser retomados na segunda-feira.

A mesma fonte disse à Lusa que, além da cadeia de Mieze, o julgamento vai decorrer em simultâneo na cadeia de máxima segurança "BO", de Pemba.

A acusação considera que os arguidos integraram grupos armados responsáveis pela morte de dezenas de pessoas desde Outubro do último ano, incêndio de habitações e destruição de património, supostamente para instalar um islamismo mais puritano no norte de Cabo Delgado.

Estudiosos que têm analisado o fenómeno consideram que as acções dos grupos são uma máscara para actividades ilegais ligadas ao controlo do tráfico de recursos naturais na zona, como madeira e pedras preciosas, e de rotas de droga, como heroína.

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