Pode falar-nos um pouco sobre o seu projecto?

O Hospital de Família do Ruai é um hospital criado através da iniciativa privada, no Quénia. Tentamos tornar os cuidados de saúdes acessíveis e comportáveis e, ao mesmo tempo, que tenham qualidade, para o mercado de consumo com menos recursos.

Tudo começou porque a medicina é uma paixão para si?

A minha paixão pelo campo da medicina começou há cerca de dez anos. Inicialmente, não tinha planeado seguir medicina, mas quando os meus resultados do ensino secundário saíram, tinha entrado num avião.

Foi aí que a sua vida mudou?

No meu país, todos acham que a medicina é [sinónimo de] uma carreira melhor, por isso o meu pai disse-me que tinha de seguir medicina. Eu tinha pensado em tirar uma licenciatura em comércio.

A sua família parece ter ideias bastante definidas…

Fui criado num contexto familiar de banqueiros. A minha mãe era banqueira, pelo que sempre tive uma paixão pelo empreendedorismo. Por isso, quando fui estudar medicina e desenvolvi uma paixão por ela, decidi juntar as duas coisas e criar algo que fosse benéfico para a sociedade.

Em que contexto surgiu esta ideia? O que mais o influenciou?

Quando comecei o meu estágio [em medicina], há sete anos, num dos hospitais da província (após o curso de medicina, fazer um estágio é obrigatório), vi os problemas diários pelos quais os quenianos passam, em termos de acesso aos cuidados de saúde, de recursos para gastar com a saúde. Foi então que disse: “Tenho de analisar este problema”. Comecei a sondar locais sem acesso a cuidados de saúde, tendo sido nessa altura que decidi começar algo pequeno e, com tempo, fazê-lo crescer. Foi assim que nasceu a paixão pelo Hospital de Família do Ruai.

Um hospital que, desde então, tem percorrido um caminho com várias etapas. Que objectivos ainda faltam conquistar?

Começámos como um centro ambulatório, com o sonho de um dia nos tornarmos num hospital de pleno direito. Deus esteve do nosso lado: tornámo-nos um hospital reconhecido, com 50 camas. Temos outra ala, com mais dez camas. Estamos a projectar um hospital com capacidade para 100 camas e a estabelecer um espaço de cuidados ambulatórios. Queremos expandir esta ideia pelo país, e, se possível, pelo continente.

Bastaram três mil dólares para fazer nascer o Hospital de Família do Ruai, no Quénia.
Bastaram três mil dólares para fazer nascer o Hospital de Família do Ruai, no Quénia.

É complicado iniciar um projecto destes, a nível financeiro?

Comecei a empresa com três mil dólares. Não é que estivéssemos inspirados para fazer dinheiro, estávamos inspirados para mudar vidas. Mas, ao longo do processo, fomos capazes de crescer e também de fazer dinheiro.

O dinheiro é, então, secundário?

Alguém que queira investir em cuidados de saúde deve ter primeiro em conta a vida, só depois o dinheiro.

Como vê o futuro próximo?

A minha estratégia para os próximos cinco anos é o de construir um hospital com capacidade para 100 camas. Terá um centro de oncologia, um centro de radiologia e teremos uma unidade de pediatria. Será um hospital com várias especialidades, virado para o turismo da saúde na África Oriental, pois temos pessoas vindas da Tanzânia e do Uganda, pelo que queremos sondar esse mercado. Este é um dos caminhos.

Tem muito trabalho pela frente e muita força de vontade. Mas parece que não vai ficar por aí…

Esperamos abrir a nossa terceira ala em Janeiro, que será apenas ambulatória, mas especializada nesse campo. Queremos expandir para outros condados, no meu país, [e também] temos outros três países em perspectiva.

Primeiro, África, depois o mundo?

Se conseguirmos isto em cinco anos e formos bons, se Deus quiser, tudo é possível. Estaremos na Bolsa de Valores de Nairobi, como companhia registada, e isto vai abrir-nos as portas para expandir, mesmo a nível internacional.

* Clique aqui e veja a entrevista na íntegra, em vídeo.

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