A escolha foi feita através do ‘site’ www.palavradoano.co.mz, durante o mês de novembro, tendo “resiliência” recolhido 38% dos votos. Segundo a Plural Editores/Moçambique, que organizou a iniciativa, foi “a capacidade de enfrentar as adversidades motivou a escolha”.

No segundo lugar ficou “marandza” com 37% dos votos. "Este termo é cada vez mais usado nas redes sociais para designar uma mulher que se relaciona de forma interesseira, com o seu parceiro ou parceiros, com o intuito de obter vantagens", explica a Plural Editores (PE), do grupo Porto Editora.

O pódio encerra com “terrorismo”, com apenas 8% das escolhas. O termo foi selecionado para a lista de finalistas por “este ano terem sido cometidos vários ataques terroristas em vilas e aldeias dos distritos de Palma e de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado”, no extremo nordeste do país.

“Autárquicas” ficou em quarto lugar, com 6%, num ano em que “as eleições autárquicas foram o grande tema da agenda política”, e, no quinto, “seleção”, com 3%, uma palavra escolhida, que se relaciona diretamente com a prática futebolística. "Após um arranque promissor, na fase de apuramento para a Taça das Nações Africanas (CAN), os ‘mambas’ [como são denominados os futebolistas moçambicanos] têm vindo a apresentar uma quebra no seu rendimento, a qual coloca em risco a qualificação da seleção nacional moçambicana para a fase final da CAN”.

No sexto lugar, com 2% das escolhas, ficaram as palavras “reassentamento”, “gás” e “sida”.

“O investimento internacional na exploração de gás natural no Norte do país tem levado ao desenvolvimento de múltiplos projetos de ‘reassentamento’ das comunidades locais, sendo esse um tema constante nos media nacionais”, referiu a editora moçambicana.

Quanto a “gás”, “a exploração de uma das maiores reservas de gás natural do mundo tem motivado vários acordos entre o Estado e diferentes multinacionais do setor”.

"Sida” (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) “é um grave problema de saúde pública em Moçambique e a principal causa de morte entre cidadãos em idade ativa”.

Finalmente, no décimo e último posto, ficaram as palavras “desbarato” e “acidente”.

“Muitos agricultores têm-se queixado da venda ao ‘desbarato’ dos produtos que colhem nas suas machambas, fruto dos baixos preços de mercado”.

"Acidente" fez parte da lista de finalistas, dados “os inúmeros acidentes de viação com vítimas mortais, frequentes em Moçambique, que são autênticas tragédias, sendo recorrente a existência de sinistros com transportes coletivos”, afirma a PE.

Na votação participaram 4.700 cibernautas moçambicanos, segundo fonte da Plural.

A “Palavra do Ano”, que conta com o apoio do Instituto Camões, em Moçambique, “tem como objetivo chamar a atenção para a importância das palavras no quotidiano, sublinhando a riqueza e o dinamismo que os moçambicanos dão à língua portuguesa”, rematou a PE.