Uma professora do ensino médio no Texas foi demitida depois de escrever um tuíte ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, denunciando a presença de alunos imigrantes ilegais em sua escola e pedindo a remoção destes.

Georgia Clark, professora de inglês em uma escola pública na cidade de Fort Worth, reclamou em 17 de maio sobre “estudantes mexicanos ilegais” e acrescentou: “Eu preciso de proteção contra recriminação.”

Funcionários da escola escreveram em um relatório que ela informou que “não percebeu que os tuítes eram públicos”.

Clark foi demitida na terça-feira, mas tem 15 dias para recorrer.

A mensagem

Os tuítes, feitos por meio da conta @Rebecca1939 no Twitter, começaram a ser publicados há cerca de três semanas, quando ela descreveu o distrito escolar como “cheio de estudantes ilegais do México” e sugeriu que deveria haver alguém na escola “para investigar ativamente e expulsar (alunos) ilegais que estão na rede pública de ensino”. A conta no Twitter foi deletada.

“Qualquer coisa que você possa fazer para remover os estudantes ilegais de Fort Worth seria muito bom”, escreveu em outro tuíte.

Clark acrescentou que precisava de garantias de que a identidade dela permaneceria preservada e escreveu: “O Texas não vai proteger pessoas que fazem denúncias. Os mexicanos se recusam a honrar nossa bandeira.”

Em outro tuíte, no entanto, ela escreveu os seus dois números de telefone e disse: “meu nome verdadeiro é Georgia Clark”.

Trump ao lado de possível protótipo de muro para a fronteira
Trump ao lado de possível protótipo de muro para a fronteira dos Estados Unidos com o México créditos: Getty Images

A repercussão

Na terça-feira à noite, o conselho que gere a escola de Fort Worth votou por unanimidade para encerrar o contrato de Clark, depois de imigrantes e grupos de defesa dos direitos dos imigrantes defenderem que a escola deveria condenar as ações da professora.

Durante a reunião, 15 pessoas discursaram em defesa de sua demissão, segundo o jornal Fort Worth Star Telegram. A professora não estava presente na reunião.

O grupo de defesa dos imigrantes United Fort Worth criticou Clark e disse que ela é uma professora “que quer transformar as salas de aula em zona de deportação”.

Após a votação, Kent Scribner, superintendente do distrito escolar, elogiou o conselho pelo “forte histórico de apoio aos estudantes e à busca deles pelo sucesso, faculdade, carreira e liderança”.

“O distrito escolar de Fort Worth atende 86 mil estudantes e nosso objetivo é tratar cada um deles com dignidade e respeito e, com base nas informações que temos, acreditamos que essa é a recomendação mais responsável neste momento.”

Um grupo do Facebook com o nome de Fort Worth Republican Women (Mulheres Republicanas de Fort Worth) defendeu a professora e criticou funcionários que, segundo o grupo, estavam violando o direito constitucional de liberdade de expressão.

“Os alunos foram ofendidos por uma professora que pediu ao presidente, Donald Trump, para fazer cumprir a lei e aí ela é punida?”, escreveu o grupo. “A mesma coisa aconteceria se um professor apoiasse a imigração ilegal?”

Em 1982, a Suprema Corte dos Estados Unidos determinou que as escolas públicas são obrigadas a educar as crianças, independentemente da situação da imigração delas.

As escolas são proibidas de perguntar aos pais sobre a situação da imigração ou denunciar famílias às autoridades.


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