Um milionário nascido no Reino Unido, suspeito de assassinar a esposa em sua casa na Califórnia, foi preso depois de passar quatro anos foragido.

Peter Chadwick, de 55 anos, foi capturado no México no domingo (04) e extraditado para os Estados Unidos, onde será julgado.

O britânico está foragido desde janeiro de 2015, quando deveria ter comparecido ao tribunal.

Chadwick, cidadão americano naturalizado, foi encontrado graças a uma denúncia depois de anunciarem uma recompensa de 100 mil dólares (cerca de R$ 400 mil) para quem desse informações que levassem à prisão dele.

O caso inspirou a polícia a lançar um podcast – Countdown to Capture – que atraiu centenas de denúncias de várias partes do mundo.

Como ele foi encontrado?

“Recebemos uma dica com algumas informações gerais que poderíamos usar para identificar a localização exata”, disse Jon Lewis, chefe de polícia de Newport Beach, em entrevista coletiva na terça-feira.

Ele disse que Chadwick, que fez seus milhões em negócios imobiliários, foi preso por autoridades de imigração perto da Cidade do México na noite de domingo. Ele foi então levado para Los Angeles e detido.

“Acreditamos que (ele) esteja no México desde o seu desaparecimento”, acrescentou Lewis.

“Ele usou diversos apelidos e obteve documentos falsos. Ele se hospedou em hotéis de alto padrão, mas quando começaram a exigir seus documentos e passaporte, ele passou a optar por acomodações mais modestas.”

Do que ele é acusado?

Em 2012, Chadwick ligou para a polícia e disse que sua esposa, Quee Choo, havia sido morta por um “faz-tudo” que a havia feito refém dentro de sua casa, em Newport Beach.

Ele disse que o assassino o forçou a dirigir para o México para jogar fora o corpo.

Peter Chadwick
Peter Chadwick é acusado de matar sua esposa, Quee Choo, em 2012 créditos: NEWPORT POLICE DEPARTMENT

Mas a polícia encontrou mais tarde Chadwick a poucos quilômetros da fronteira mexicana. Ele foi preso depois de encontrarem sangue sob suas unhas e arranhões no pescoço.

Dias depois, o corpo de sua esposa foi encontrado jogado em uma lixeira perto da cidade californiana de San Diego. Chadwick é acusado de estrangulá-la em uma briga sobre um possível divórcio.

Ele foi libertado em dezembro de 2012 após pagar fiança de US$ 1 milhão (o equivalente a R$ 4 milhões) depois de ter desistido de seus passaportes no Reino Unido e nos EUA. Mas dois anos depois ele desapareceu.

Chadwick tentou enganar a polícia ao deixar pistas de que teria fugido para o Canadá, disseram as autoridades.

Ele foi acusado de homicídio e pode pegar prisão perpétua caso seja condenado.

Podcasts sobre crimes com impacto no mundo real

Assim como no podcast
Countdown to Capture
, que levou a polícia a receber centenas de denúncias sobre o paradeiro de Chadwick, houve muitos outros podcasts que parecem ter ajudado em investigações policiais.

Na Austrália, um podcast chamado
The Teacher’s Pet
chamou, em 2018, atenção para um mistério não resolvido. Ele reinvestigou o caso de Lynette Dawson, uma mãe de dois filhos de Sydney que desapareceu no início dos anos 1980.

Enquanto a polícia investigava o caso havia anos, o podcast descobriu novas testemunhas e evidências e chamou a atenção de milhões de pessoas. A polícia prendeu o marido de Lynette – Chris Dawson – em dezembro de 2018. Ele negou as acusações e se declarou inocente em junho.

Também em 2018, o podcast In the Dark levantou questões sobre uma condenação por assassinato nos EUA. A segunda temporada do programa contou a história de Curtis Flowers, um homem negro do Mississippi que foi condenado seis vezes pelo mesmo crime pelo mesmo promotor branco.

A Suprema Corte anulou a condenação em junho porque a promotoria havia excluído os jurados negros. Ele ainda pode ser julgado pela sétima vez.

Também nos EUA, a série de podcasts de 2014 Serial focou na condenação de Adnan Syed, que foi preso pelo assassinato de sua ex-namorada Hae Min Lee em 2000. Seus 12 episódios foram baixados 175 milhões de vezes.

Um novo julgamento foi finalmente marcado, mas, no início deste ano, Syed foi informado de que ele não seria julgado novamente após um recurso da Promotoria.


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