Em comunicado divulgado hoje, o IMD observa que as negociações em torno do DDR entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, têm sido dominadas por homens e contam com "pouco envolvimento das mulheres".

"O não envolvimento da mulher nas negociações do processo do DDR levanta questões sobre como se pode ter a certeza de que as suas preocupações estão a ser acauteladas", disse Elisa Muianga, gestora da Academia Política da Mulher no IMD, citada na nota de imprensa.

Elisa Muianga notou que a mulher tem sido uma das principais vítimas dos conflitos militares e de todas as atrocidades cometida nos conflitos armados em Moçambique, apontando o exemplo de um vídeo que está a circular no país de uma mulher a ser metralhada até à morte por supostos militares moçambicanos.

Aquela ativista considera que o envolvimento da mulher nos processos de paz em Moçambique seria uma mais valia, dado que "ela é uma pacificadora e reconciliadora nata e o seu envolvimento é uma forma de garantir a prevenção de novos conflitos".

"A mulher é fator de coesão e tem uma grande responsabilidade na promoção da paz, reconciliação e coesão social", destacou Elisa Muianga.

No âmbito do DDR, 1.075 guerrilheiros do braço armado da Renamo já entregaram as armas, de um total de 5.000 que deverão ser abrangidos pelo processo.

Depois de um arranque simbólico no ano passado, o DDR esteve paralisado durante vários meses, tendo sido retomado a 4 de junho.

O processo é resultado do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional assinado a 6 de agosto do ano passado entre o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade, para o encerramento formal de meses de confrontação armada entre as Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas e o braço armado do principal partido da oposição.

O acordo é contestado pela Junta Militar, uma dissidência armada da Renamo, que é acusada de ter matado mais de 20 pessoas e destruído bens em ataques a autocarros em alguns troços de estrada nas províncias de Sofala e Manica, centro de Moçambique.

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