Adélia Alberto, administradora de Mavago, província de Niassa, citada hoje pelo diário Notícias, afirmou que 665 grávidas fizeram o parto nas cinco maternidades existentes no distrito, um número abaixo do previsto.

Adélia Alberto admitiu a possibilidade de as parturientes que não se deslocaram às unidades sanitárias terem sido assistidas pelas chamadas "parteiras tradicionais", manifestando preocupação com os riscos relacionados com os partos fora dos hospitais.

Muitas mulheres sentem-se obrigadas a fazer o parto em casa com a ajuda de uma parteira tradicional, devido às longas distâncias entre as áreas de habitação e as unidades de saúde.

Em Mavago, as grávidas têm de percorrer mais de 12 quilómetros para encontrar uma maternidade.

Em Setembro, o segundo principal hospital de Nampula está a registar uma redução do número de partos devido ao mau estado dos acessos, anunciou a instituição.

De Janeiro a Agosto, foram realizados 1.291 partos, contra 1.418 em igual período de 2017, referiu Georgina de Castro, diretora da unidade.

Apesar de o Hospital Geral de Marere ter "comités de gestão e parteiras que trabalham com as comunidades, sensibilizando as mulheres grávidas sobre o perigo de dar à luz fora da maternidade", o mau estado da estrada para a unidade de saúde impede que muitas sejam transportadas para lá.

"É difícil uma mulher já em trabalho de parto suportar solavancos devido aos buracos que a estrada que leva ao hospital apresenta", disse a directora, admitindo que muitas procuram outras unidades sanitárias para os partos.