"Estou profundamente preocupada com os próximos meses, uma vez que a insegurança alimentar deverá aumentar devido aos extensos danos às colheitas e à subsistência", referiu Ursula Mueller, em Lilongwe, capital do Maláui, após uma visita de uma semana aos três países afetados pelo ciclone Idai.

A tempestade atingiu Moçambique, Zimbábue e Maláui no mês de março, sendo que o país lusófono seria ainda afetado pelo ciclone Kenneth em abril.

"Estou inspirada pela incrível capacidade de resistência do povo moçambicano, que já está a reconstruir as suas vidas", declarou Ursula Mueller, que visitou a Beira, no centro de Moçambique, uma das maiores cidades do país, com cerca de meio milhão de habitantes e a principal área urbana a ser atingido pelo Idai.

A dirigente passou ainda pelo distrito de Dondo, outra das zonas mais sacrificadas, nos arredores da Beira.

"Precisamos de garantir que ninguém é deixado para trás e que as pessoas deslocadas sejam realojadas de maneira segura, digna, voluntária, informada e durável", destacou, apelando para um maior apoio financeiro à ajuda humanitária.

De acordo com dados da ONU, a resposta necessária está orçada em 440 milhões de dólares (388 milhões de euros) para apoiar 2,4 milhões de pessoas afetadas sobretudo por fome, mas também por falhas em serviços básicos.

Os desembolsos feitos pelos parceiros têm sido canalizados através do Fundo Central de Resposta de Emergência (CERF, na sigla inglesa) e ascendem até agora a 143 milhões de dólares (126 milhões de euros), ou seja, cerca de um terço do plano orçamentado.

O ciclone Idai atingiu o centro de Moçambique e provocou 603 mortos, enquanto que o ciclone Kenneth, que se abateu sobre o norte do país, matou 45 pessoas.

O plano de resposta humanitária para o país prevê ainda apoio à população do sul afetada por seca.

No Zimbábue, Ursula Mueller pediu ao Governo medidas para evitar que a recuperação na zona afetada pelo Idai, em Chimanimani, seja dificultada devido à crise económica e à seca que já afetavam o país.

No Maláui, a dirigente da ONU recomendou uma aposta na "resiliência" para erradicar problemas recorrentes face a cheias e intempéries em Chikwawa.

O ciclone Idai provocou 344 mortos no Zimbabué e 56 no Maláui.

"Embora o impacto do ciclone Idai tenha sido diferente nos três países, o que aconteceu dá-nos uma visão clara de como as mudanças climáticas estão a aumentar as necessidades humanitárias de pessoas que já são extremamente vulneráveis", disse Mueller.

"A crise climática está a prejudicar sobretudo aqueles que pouco fizeram para criá-la", concluiu.

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