Saniniu Kuryan Laizer, 52 anos, descobriu as duas pedras, com pesos de 9,27 e 5,1 quilos, nas montanhas Mererani, do norte do país, numa área que o Presidente tanzaniano, John Magufuli, tinha decidido encerrar em 2018 para controlar a produção e combater as exportações ilegais de tanzanite.

O mineiro vendeu as duas pedras ao Governo tanzaniano por 7,7 mil milhões de xelins (2,9 milhões de euros).

A tanzanite, uma pedra preciosa de cor entre o azul e o violeta e exportada principalmente para a Índia, é extraída apenas nas montanhas Mererani, perto do Monte Kilimanjaro.

Numa cerimónia realizada esta quarta-feira na cidade de Manyara para celebrar o evento, o ministro das Minas da Tanzânia, Doto Biteko, disse que as pedras foram as maiores jamais descobertas no país.

“Estamos agora a passar de uma situação em que os mineiros de pequena escala traficavam tanzanite para uma situação em que seguem procedimentos e pagam impostos e taxas governamentais”, disse o governante.

O mineiro afirmou que pretende usar o dinheiro para ajudar a desenvolver a sua comunidade local.

“Tenciono construir um centro comercial em Arusha e uma escola perto da minha casa”, disse.

O Governo indicou, numa publicação no Twitter, que as pedras seriam mantidas no museu nacional.

Quando o exército começou a erguer um muro com 24,4 quilómetros de comprimento à volta das minas de Mererani em 2018, o Presidente Magufuli estimou que 40 por cento da produção de tanzanite do país se perdia devido ao contrabando.

Desde que chegou ao poder no final de 2015, tem participado num braço de ferro com grandes empresas mineiras estrangeiras que operam na Tanzânia, sendo acusado de subestimar a sua produção de ouro, diamantes e tanzanite em particular, e fazendo com que o país perca dezenas de biliões de dólares em impostos e taxas desde 1998.

Um relatório parlamentar publicado no início de setembro de 2017 afirmava que a exploração mineira de tanzanite beneficiava principalmente os mineiros e os traficantes, uma situação atribuída à corrupção no setor e a contratos desfavoráveis.

A Tanzânia introduziu nova legislação em 2017 que exige que as empresas estrangeiras deem ao Estado 16% das suas ações em cada projeto mineiro.

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