Jhon Cardona, Gabriela Lobo e Nahum Rodriguez fazem parte da organização Disobey Venezuela que tem marcada para o próximo sábado uma ação de protesto junto à embaixada russa em Caracas, contra a ingerência dos russos no país.

De tendência libertária são, por norma, contra todas as proibições e por isso afirmam que participam em todos os protestos que se realizem contra o regime de Nicolás Maduro.

“Defendemos a educação como base para uma transformação política, económica, social e jurídica. Precisamos de uma reforma para formar cidadãos que com conhecimento consigam enfrentar a crise deste país”, afirma Jhon Cardona.

Jovens irreverentes e revoltados com um país “com muitas proibições”, dizem não acreditar em verdades absolutas. “Pensamos que os venezuelanos têm de sair para as ruas a manifestar descontentamento”.

“Temos de nos formar como cidadãos políticos. Temos de assumir a nossa responsabilidade. Somos uma futura geração, temos esta obrigação histórica de acabar com isto de uma vez”, diz Jhon, considerando que é uma luta muito difícil.

Sobre uma possível intervenção externa para ajudar a acabar com o sistema no poder, afirma que a ajuda será sempre bem vinda: “Sim, precisamos de ajuda de governos externos para acabar com este sistema opressor de hoje em dia”.

Considerando o protesto como uma ferramenta para a transformação do país, os jovens afirmam que cada vez que se faz um protesto é mais uma vitória no caminho. “Aceitaremos todos os protestos contra o regime e participaremos em todos”, afirmam.

Jovens que praticamente só conheceram o poder político socialista na Venezuela, dizem estar dispostos a lutar para que possam vir a viver num país diferente do que conhecem: “Não quero a Venezuela que viveu a minha família, quero uma Venezuela melhor, onde as famílias não tenham que se separar, uma potência, em que todos tenhamos oportunidades, que não destrua os nossos sonhos, que abra a porta a estrangeiros. Uma Venezuela de cidadãos livres e prósperos, cidadãos conscientes, formados, que não permitam que o povo volte a passar o que passou neste país”.

Quando questionados sobre se não têm medo de defender ideias críticas num regime que aceita mal a opinião diferente, John foi claro e determinado.

“Sinto que o medo é o pai e a mãe da valentia. Sim, tenho medo. Mas mais medo tenho de lhes [ao poder instituído] deixar isto e comprometer as futuras gerações. De não ter família porque simplesmente morreram. Tenho mais medo do que se pode passar no futuro do que aquilo que me pode acontecer. Hoje estou cá porque tenho medo que destruam a Venezuela, e por isso nasce a minha valentia de continuar a lutar contra eles”, afirmou junto ao obelisco da Praça Altamira, “um símbolo da luta contra a opressão”.

O grupo Desobey Venezuela defende o livre porte de armas baseado no facto de que na Venezuela quem tem armas são os bandidos, os ‘coletivos’, os polícias e militares, todos eles, na sua opinião, sem uma educação suficiente para saber usar armas.

Assim, só lhes resta reclamar que todos se possam defender em legítima defesa: “Se há proibição de armas por que é que morre tanta gente com armas?”, questiona Cardona.

“Acreditamos no livre porte de armas com cidadãos conscientes que se podem defender de criminosos”, diz.

Nahum Rodriguez clarifica que quando o regime dá armas a polícias, militares e grupos ‘coletivos’ “são delinquentes em potência que não fizeram sequer uma prova psicológica. Estão armados, vêm para as ruas e matam as pessoas, acha que lhes interessa se têm porte de arma ou não? Um indivíduo tem de ser formado tanto intelectualmente como eticamente para usar armas, senão não tem sentido”.

John Cardona conclui: “Estamos na rua e vemos uma motorizada, ficamos assustados. Não sabemos se está armado. Quem é que está armado neste país? Os que o poder determina. Há um cartão dos membros dos coletivos que diz, ‘este cidadão tem o dever de defender a pátria e por isso tem o livre porte de armas'”.

Gabriela Lobo também não vê no livre porte de armas um aumento da violência: “Se temos pessoas suficientemente cultas não andarão matando. Só para defesa pessoal. Estar armado para defender a integridade”, afirma.

“Não é justo que um regime, criminoso, mata quem protesta nas ruas. Todos temos o direito de protestar, a expressar-nos, a dizer a verdade. Temos o direito a ser indivíduos livres, qualquer que seja a sua opinião”, defende.

Gabriela quis registar que o repórter fotográfico Jesus Medina continua preso na Venezuela há nove meses “apenas por dar informação e dizer a verdade e enfrentar o regime”.

“Levantamos a nossa voz pelo direito à verdade, o direito à livre expressão”, concluiu.

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