José Garcia, chefe adjunto da missão espanhola em Moçambique e porta-voz da delegação da rainha, fazendo um balanço da visita de Letizia Ortiz, assegurou que além da intervenção clínica e formação de quadros na área de saúde, a Espanha vai reabilitar o hospital de Dondo, a segunda cidade mais destruída pelo ciclone, 30 quilómetros a oeste da Beira.

“Estamos aqui para dar a conhecer boas iniciativas, financiadas pelos impostos dos espanhóis, para a ajuda do povo moçambicano em situação de emergência. É uma iniciativa mais interessante e mais bonita de todos”, disse José Garcia, em alusão a implantação, em Dondo, de um hospital de campanha do tamanho de um campo de futebol, na região sinistrada.

O responsável sublinhou o fato daquele reino europeu ter enviado pela primeira vez a Moçambique a primeira missão da Equipa Técnica Espanhola de Ajuda e Resposta a Emergências (STAR), considerando o gesto como "exemplo de coordenação eficaz a nível interministerial e interterritorial".

Assegurou, contudo, que no fim da missão, todo o material médico do hospital de campanha será doado à unidade hospitalar de Dondo e ao ministério moçambicano da saúde.

Fazendo o balanço das atividades do hospital de campanha, José Garcia, disse que desde a sua implantação foram feitas 2.275 assistências médicas, uma média diária de 85 assistências, entre crianças, homens e mulheres, incluindo grávidas.

Do total dos assistidos, continuou, 6% sofriam de patologias direta e indiretamente relacionadas com o ciclone idai, sendo as principais nas áreas de ginecologia-obstetrícia e traumatológicas.

“Trabalhamos muito para evitar mortes de bebés, sobretudo nos nascimentos, porque tivemos muitos partos”, disse José Garcia, salientando que algumas grávidas chegavam ao centro exaustas, após vários dias tentando se salvar das inundações provocadas pelo ciclone.

No hospital de campanha foram realizadas 21 cesarianas e 15 partos, totalizando 36 nascimentos.

Também foram realizadas 75 cirúrgias de emergência, além de terem sido tratadas lesões traumatológicas, infeções diversas, incluindo respiratórias agudas, sobretudo em crianças.

Ao todo, 124 pessoas precisaram de ser internadas.

Um grupo de 40 profissionais do sistema nacional de saúde de várias regiões espanholas, do total dos 31 enviados para responder à situação de emergência, são recrutados quando organizações internacionais ou países afetados pedem ajuda sanitária numa situação de catástrofe natural ou qualquer outra emergência internacional, referiu a fonte.

A rainha Letizia encorajou os profissionais da missão espanhola a Moçambique, na terça-feira, após a reunião que marcou o fim da sua visita a Moçambique, iniciada no domingo. Antes, manteve uma reunião com o autarca da Beira e o governador de Sofala, para se inteirar dos danos provocados pelo ciclone.

Acompanhavam a rainha da Espanha, o secretário de Estado da Cooperação Internacional e para Iberoamérica e Caribe, Juan Pablo de Laiglesia, e a diretora de cooperação com África e Ásia da Agência Espanhola de Cooperação Internacional, Cristina Díaz.

A visita da rainha da Espanha a Moçambique decorreu no âmbito do aprofundamento das relações de amizade, solidariedade e cooperação existentes entre os dois países.

A cooperação entre a República de Moçambique e o Reino da Espanha abrange várias áreas, com destaque para saúde, educação, agricultura e segurança alimentar, administração da justiça, finanças, gestão de recursos hídricos, igualdade do género e desenvolvimento rural, segundo um comunicado do governo.

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