A maioria das estradas da Guiné-Bissau encontra-se em avançado estado de degradação, agravada pela águas que caem nesta época chuvosa. Em Bissau, a situação é complicada e, em algumas zonas, os jovens assumem a iniciativa de arranjar as vias, tapando buracos.

Os residentes dos bairros periféricos têm o acesso dificultado ao centro da capital do país. É que os transportes urbanos como táxis e "toca-tocas" não têm como circular em várias artérias da capital.

Nas estradas, os motoristas ouvidos pela DW África lamentam a sitiação. "Sentimos muitas dificuldades. Nas zonas de matadouro, carro como este [por causa do buraco], se a roda não roçar o chão, não pode ir a lugar nenhum”, disse um dos condutores, cuja opinião foi subscrita por outro motorista:

"Neste momento estamos a trabalhar com muitas dificuldades. Nem na praça ou nas zonas de viação [conseguimos trabalhar], a estrada não está nada bem. Mas os polícias não olham para isso. As vezes param os condutores para falar do pisca do carro”, aponta.

E o condutor lamenta: "A estrada não vale. Há um lugar que para passar o carro que fica ainda preso, por isso não conseguimos chegar ao matadouro [terminal de toca-tocas]. Às vezes a polícia nos obriga a chegar ao matadouro, mas várias viaturas ficam no matadouro e não conseguem passar”.

Promessas do Governo

O porta-voz da Federação das Associações dos Moradores de Bissau (FAMBI), Ansumane Sani, constata outro problema e pede a intervenção do Governo: "Não há um plano urbanístico para a cidade de Bissau, isso é o maior ‘handicap' (obstáculo) e a maior dor de cabeça."

"Mesmo não tendo as estradas em condições. Mas se não há alternativas, como é que podemos circular? É uma grande preocupação”, questiona Sani.

"Até em frente ao palácio da República, na praça dos heróis nacionais, todos vimos as [estradas] esburacadas aí. Portanto, há uma necessidade imperiosa e urgente de uma intervenção atempada do Governo para minimizar o sofrimento dos moradores”, aponta Sani.

Solução para breve?

Mas ao que tudo indica o problema tem os dias contados. O diretor-geral das estradas e pontes, Braima Djassi, deu uma garantia: "Eu penso que até ao fim de semana vamos começar a reagir. A situação não pode esperar. Essa manutenção é para garantir o trânsito nesta época da chuva”.

Entretanto, em 2018, a Guiné-Bissau e a China assinaram um acordo para a construção de uma autoestrada de nove quilómetros, do Aeroporto Osvaldo Vieira a Safim, no norte do país, orçada em mais de 25 milhões de euros e suportada pelo país asiático.

Mas os trabalhos ainda não começaram, porque o Governo guineense ainda não desbloqueou o fundo para a indemnização da população cujas habitações vão ser afetadas pelas obras.

Autor: Iancuba Dansó (Bissau)

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