"É um grande alívio saber que o Ministério Público retirou as acusações contra Ramón, mas, na realidade, estas nunca deveriam ter sido apresentadas", disse Salil Tripathi, presidente do comité de escritores na prisão da organização International PEN (que é um grupo internacional de escritores que lutam pela liberdade de expressão), num comunicado conjunto das entidades.

"Instamos as autoridades a que garantam o seu regresso seguro à família, que o permita continuar a criar as suas ilustrações enérgicas e assegurem que a Guiné Equatorial respeita o direito à liberdade de expressão", acrescentou Tripathi.

A coligação #FreeNseRamon, composta por centenas de artistas, activistas e organizações que defendem liberdade de expressão artística e os direitos humanos, fez uma campanha para chamar a atenção internacional para a situação de Esono, autor de trabalhos críticos contra o regime do Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, há quase 40 anos no poder.

"A libertação de Ramón é um testemunho do poder do trabalho colectivo de dezenas de organizações, centenas de artistas e cidadãos interessados", disse Tutu Alicante, director da EG Justice, que promove os direitos humanos na Guiné Equatorial.

"Entretanto, não devemos esquecer que dezenas de críticos do Governo que não são tão afortunados, preenchendo as prisões da Guiné Equatorial, assim, a luta contra as violações dos direitos humanos e a impunidade deve continuar", acrescentou Alicante.

O cartunista, que deixou a prisão de Playa Negra na quarta-feira, disse à agência de notícia espanhola EFE que está num estado "entre a felicidade e a raiva".

O activista, numa conversa telefónica após sair da prisão, disse à EFE que estava a ir para casa de suas irmãs para descansar, mas que "há coisas que não vai poder esquecer a longo prazo".

A 27 de Fevereiro, o Ministério Público da Guiné Equatorial retirou as acusações de branqueamento e contrafacção de dinheiro contra o cartunista, que foi detido em Setembro de 2017 e depois enviado para a prisão.

"O Governo da Guiné Equatorial tem uma longa história de assédio e perseguição aos seus críticos", denunciou Mausi Segun, director da Human Rights Watch em África, no comunicado conjunto.

"A libertação de Ramón", disse Segun, "é uma vitória importante contra a repressão".

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