No anúncio desta medida, o ministro da Justiça gambiano, Aboubacarr Tambedou, defendeu ser justo que a “reparação” às vítimas proceda diretamente dos bens e riquezas do antigo chefe de Estado.

O governante também pediu doações, especialmente do setor privado, para poder reparar as perdas e sofrimentos das vítimas.

O dinheiro será destinado às vítimas que testemunharam na Comissão da Verdade por violações dos direitos humanos cometidas durante o mandato de Jammeh.

O presidente da comissão, Lamin Ceesay, expressou a sua gratidão pelo anúncio da criação do fundo, que considerou "uma contribuição esplêndida" para "aqueles que sofreram muito durante a ditadura".

“Na verdade, todo o gambiano era uma vítima”, sustentou Ceesay.

No mês passado, o ministro da Justiça tinha revelado que Jammeh chegou a acumular mais de 300 bens imóveis – muitos registados sob o seu nome ou de empresas nas quais possuía ações -, além de pelo menos 89 contas bancárias associadas também de alguma forma ao ex-Presidente.

Com base no confisco de ativos e bens do antigo mandatário, que tem vindo a ser feita desde o exílio de Jammeh, espera-se que o Governo recupere cerca de 48 mil milhões de dólares (perto de 43 mil milhões de euros), desviados de forma ilegal.

Yayah Jammeh governou a pequena nação da África Ocidental desde 1994, durante 22 anos, marcados por violações generalizadas dos direitos humanos, sem que estes factos fossem depois investigados ou os seus supostos autores julgados.

Durante o seu regime, foram frequentes os desaparecimentos forçados, as torturas extrajudiciais de estudantes, ativistas, opositores e funcionários públicos, entre outros.

O atual Governo, liderado por Adama Barrow, criou a Comissão da Verdade, Reconciliação e Reparação, com o objetivo de documentar a natureza, as causas e o alcance destes abusos, assim como para facilitar a concessão de indemnizações a numerosas vítimas.

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