Grace à Dieu relata o nascimento da associação de vítimas La Parole Libérée( A Livre Palavra), fundada em Lyon,no sudeste da França, por antigos escuteiros abusados pelo padre Bernard Preynat. A associação recenseou cerca de 85 vítimas dos actos de pedofilia do referido sacerdote.

O filme do cineasta francês François Ozon, que recebeu no último sábado o Prémio do Júri da Berlinale,Festival de Cinema de Berlim, é objecto de dois processos judiciais,destinados a cancelar ou a adiar a sua saída, programada para quarta-feira, dia das estreias cinematográficas em França.

Ozon e a sua produção foram convocados a comparecer no tribunal de Paris, pelos advogados do padre Preynat, em nome da presunção de inocência do seu cliente alguns meses, antes do seu processo.A audiência decorreu na passada sexta-feira e o veredito dos juízses foi divulgado nesta segunda-feira.

Segundo Paul-Albert Iweins, um dos advogados do produtor e da distribuidora do filme, a decisão sábiamente motivada, advertências à parte, reconhece que não se justificam as medidas visando proibir a saída pública de Grace à Dieu.

Emmanuel Mercinier, do grupo de advogados que defende o padre Preynat,lamentou profundamente a decisão tomada pelo Tribunal de Paris, não só no interesse do seu cliente,mas também no que toca ao interesse geral.

Apresentar como culpado, durante duas horas, um homem que ainda não foi julgado como tal, constitui uma violação da presunção de inocência que evidentemente não fará, esquecer o facto de escrever o contrário durante dois segundos, declarou Mercinier.

Saliente-se que o juiz do Tribunal de Paris rejeitou o pedido da defesa do Padre Preynat, considerando que o facto de inserir uma frase, nos últimos segundos do filme, afirmando que o sacerdote beneficia da presunção de inocência, satisfaz os requesitos da lei, uma vez que a culpabilidade não foi apresentada como estabelecida.

No âmbito do mesmo processo, Régine Maire, psicóloga benévola da diocese de Lyon, também apresentou queixa contra a produtora de François Ozon, para que o seu nome seja retirado do guião do filme.

Em defesa da sua escolha, designamente a utilização dos nomes verdadeiros dos personagens do filme, François Ozon argumentou que os factos imputados à Régine Maire e ao padre Preynat já são do conhecimento público.

A decisão do Tribunal de Paris,ocorre com em pano de fundo o recente julgamento em Lyon ( de 7 a 10 de Janeiro) do cardeal Philippe Barbarin e cinco membros da hierarquia da Igreja por não denúncia de agressões sexuais a menores, assim como a decisão do Vaticano de  tomar medidas concretas contra os actos de pedofilia, cometidos por padres e outros membros da Igreja.

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