Esta opinião motivou várias reações na conferência "Combate às 'fake news' - uma questão democrática", promovida hoje pela Lusa, em Maputo, havendo também quem coloque o profissionalismo acima de questões remuneratórias.

Questionado sobre se existe uma cultura de verificação de factos em Moçambique, Nhamire referiu que "não há", porque "a profissão não compensa".

Ou seja, ser jornalista obriga quem exerce a profissão a desdobrar-se em outras atividades para ter rendimentos, em vez de poder reservar esse tempo para um jornalismo de maior qualidade, defendeu.

Admitindo estar a tocar em pontos "inconvenientes", Nhamire considerou que os casos de jornalistas que fazem carreira na generalidade dos meios de comunicação social de Moçambique são uma minoria - o que acarreta também o risco de a profissão se arrastar como uma atividade de estagiários.

Apontando-se a ele próprio como exemplo de alguém que procurou melhores condições de vida a trabalhar com outras entidades, assim como de outros participantes na conferência, Borges Nhamire referiu depois Francisco Carmona, editor executivo do semanário moçambicano Savana - também presente na sala - como um raro exemplo de quem faz carreira.

"Eu tenho quase a mesma opinião, mas há que acrescentar algumas coisas", referiu Carmona à Lusa, à margem do evento.

"Quem corre por gosto não cansa e é preciso também ter um nível um pouco mais alto de gosto pela profissão", notou, dizendo que ninguém espera ficar rico ao ser jornalista, "mas um saco vazio também não fica em pé".

"É necessário melhorar as condições de trabalho e remuneratórias, mas não tens de sair daqui milionário", acrescentou.

Francisco Carmona considerou que não faz sentido, para quem é profissional de jornalismo, misturar condições remuneratórias com o hábito - que deve haver - da verificação de factos.

A conferência Combate às Fake News - Uma Questão Democrática é promovida pela agência Lusa em parceria com o semanário Savana, que celebra 25 anos, e a Universidade Politécnica.

O evento sucede a outro sobre o mesmo tema promovido pela Lusa em fevereiro, em Lisboa.

O debate em Moçambique faz parte do programa de visita ao país do presidente do Conselho de Administração da Lusa, Nicolau Santos, e da diretora de informação, Luísa Meireles, para apresentação de novos serviços da agência de notícias de Portugal.

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