“A Control Risks acredita que é cada vez mais provável que o grupo Al-Sunnah faça dos estrangeiros a viajar nas estradas rurais de Cabo Delgado um alvo”, lê-se num relatório que marca o primeiro aniversário dos ataques nesta região.

“A capacidade do grupo para lançar ataques contra activos comerciais imóveis continua limitada”, acrescenta-se na análise, que defende que “é improvável que ataquem hotéis e restaurantes em Pemba ou Palma ou que tentem uma emboscada em veículos ao longo da congestionada estrada entre as duas cidades”.

Na análise desta consultora, os últimos ataques mostram que "o grupo está a evitar ter baixas e a alta concentração de forças de segurança nesta zona vai servir como desincentivo a ataques mais complexos".

Para já, diz a Control Risks, "apesar da ameaça continuar a crescer, as questões relacionadas com o pessoal e a segurança comercial vão começar a exigir atenção igual", porque "há uma visão comum entre as numerosas multinacionais segundo a qual a al-Sunnah não consegue extinguir a excitação sobre o potencial de Moçambique em termos de gás natural".

Desde há um ano, segundo números oficiais, já terão morrido cerca de 100 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

A violência em Cabo Delgado ganhou visibilidade após um ataque armado a postos de polícia de Mocímboa da Praia, em outubro de 2017, em que dois agentes foram abatidos por um grupo com origem numa mesquita local que pregava a insurgência contra o Estado e cujos hábitos motivavam atritos com os residentes, pelo menos, desde há dois anos.

Depois de Mocímboa da Praia, os ataques têm ocorrido sempre longe do asfalto e fora da zona de implantação da fábrica e outras infraestruturas das empresas petrolíferas que vão explorar gás natural, na península de Afungi, distrito de Palma.