O relato é de Salome Saide, idosa, mais de 70 anos de idade. Deixou Macomia, Cabo Delgado, quando a sua aldeia foi atacada por insurgentes que, desde 2017, atormentam a população dos distritos da província rica em recursos naturais.

“Mataram o meu neto, de 16 anos, e raptaram outros jovens”, conta a anciã, que hoje tem a ajuda da sobrinha.

Na sua cara, um misto de alívio e angústia. Foi forçada a abandonar a terra natal. Não teve a oportunidade de enterrar o seu neto. “Estar viva”, tal como diz, “é um milagre”.

Salome é uma das milhares de pessoas que, nos últimos três meses, encontram abrigo na cidade de Nampula, dependentes da ajuda das autoridades, familiares, amigos e organizações de caridade.

“Aqui, a situação é de fome. Falta comida e onde dormir. Durmo no chão”, desabafa o jovem Jeremias Valeriano, outro deslocado, que conta que abandonou Macomia depois de ter visto “o tipo e sobrinho decapitados”.

Sonhos no limbo

Há pelo menos 10 mil deslocados em várias partes de Nampula, sendo a maioria mulheres e crianças e adolescentes, o que levanta várias preocupações, incluindo a continuidade de estudos.

Tomé Panguene, 16 anos, também de Macomia, interrompeu as aulas, antes da pandemia da Covid-19, por temer ser raptado. Agora tem outro medo: O sonho de se tornar professor parece estar seriamente comprometido.

“Sei que vai ser tudo difícil, mas gostaria de continuar a estudar aqui”, diz Panguene, que frequentava a 11ª classe.

Ajuda da Caritas

Para aliviar o sofrimento dos deslocados, na cidade de Nampula, a Caritas, uma organização de caridade da Igreja Católica, iniciou a distribuição de alguns bens, nesta terça-feira, 11.

O padre Orlando Fausto, responsável da organização disse que o apoio inclui produtos alimentares, baldes , máscaras mantas e esteiras.

O material, disse Fausto, resulta da mobilização iniciada pelo arcebispo de Nampula, e, quanto mais a situação em Cabo Delgado agudiza, “há mais pessoas que voluntariamente estão a dar alguma contribuição.

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