“Levar as bicicletas a Moçambique não é difícil, arranjar as bicicletas para levar para Moçambique também não é difícil. Aliás, quando abordei a ACERT [Associação Cultural e Recreativa de Tondela] foi a dizer que ia fazer acontecer isto, mas a minha intenção era dar escala, para que não seja chegar, largar e vir embora e, nesse contexto, é que vimos que precisávamos de mais apoios”, admitiu Nelson Martins.

O empresário contactou a ACERT para ter ajuda para “levar bicicletas para Moçambique, 40 para uso urbano, utilitário, e dez de ciclismo, para que possam constituir uma equipa de ciclistas”.

Segundo Nelson Martins, está também programado o transporte para aquele país de “equipamentos para a prática desportiva, cadeiras para o transporte de crianças e todo o material de apoio necessário e ferramentas”.

“Temos também programada formação, ou seja, queremos formar mecânicos para que façam a manutenção das bicicletas e elas possam ser, efetivamente, usadas e não fiquem rapidamente inutilizadas”, explicou o empresário, que tem prevista a deslocação a Portugal de moçambicanos para aprenderem a manutenção de bicicletas.

O projeto, que inicia este ano e tem a duração de três anos, tem um custo previsto de 40 mil euros.

“Em média, fica cada bicicleta orçada em 800 euros e esses 800 euros contemplam tudo aquilo que o projeto envolve, desde as viagens, o transporte, a bolsa para ajudar uma ou outra pessoa a viajar” de Moçambique, informou o empresário.

Nelson Martins adiantou que há “um conjunto de parceiros” disponível para ajudar financeiramente, sendo que se prevê fazer um conjunto de eventos para angariar fundos para o projeto, denominado ‘Smilebike’.

Sobre a escolha de Moçambique, Nelson Martins referiu que é um país onde “uma bicicleta pode fazer a diferença para ir à escola, para arranjar trabalho ou até para ir a um serviço de saúde”.

O projeto conta com um terceiro parceiro na organização, a organização não governamental moçambicana Mutumbela Gogo que “vai ajudar a identificar os melhores destinatários para estas bicicletas” e a “colaborar no desenvolvimento do projeto”.

“De lá virão fotografias, possivelmente para uma exposição, e filmagens para fazermos um mini-documentário que queremos que chegue a todo o país, onde tentaremos apresentar o impacto que as bicicletas podem ter numa comunidade e as mudanças que podem fazer numa sociedade”, anunciou.

Este empresário de 36 anos desenvolveu em 2017 um projeto através do qual ofereceu à ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal de Viseu duas bicicletas tandem, “com duas cadeiras, para que uma pessoa cega possa usufruir deste meio de transporte e de desporto”.