Um inquérito da Gender Links, uma organização não governamental internacional de defesa dos direitos da mulher e da rapariga, indica que desde 2017, Manica, no centro do país, registou 45 mil casos de uniões forçadas e violência sexual baseada no género.

“Há muita consciência sobre os danos sociais que os casamentos prematuros causam, mas ainda há muitos casos” disse Cecília Ernesto, activista social.

“Isso pode tornar-se num berço de pobreza, porque alguns desses casamentos são insustentáveis e muitas raparigas acabam mães solteiras”, acrescentou.

Mariana Rosi, 13 anos, entrou para um casamento com um homem quase três vezes mais velho. Após engravidar, o marido abandonou o relacionamento, forçando a adolescente a retornar a casa dos pais, onde vive com o filho. A família não tem muitos meios.

Alice Banze, directora executiva da Gender Links para os países lusófonos diz que a organização tem estado a resgatar menores que foram forçadas a viver maritalmente com outros adolescentesou homens mais velhos.

“Manica é uma das províncias com índices elevados de casamentos prematuros” recorda Alice Banze.

O Ministério publico reconhece a evolução do fenómeno, tendo já recebido várias denúncias de uniões forçadas na província de Manica.

Tamele de Novais, Procurador-chefe distrital de Gondola, um distrito de Manica, com muitos casos registados, diz que o órgão judicial tem estado a propor condenação exemplar aos que casam e mandam casar crianças.

As causas, dizem especialistas, incluem a prática tradicional, “mabatiro”, que literalmente significa reserva, e segundo a qual às bebés é consagrado um futuro marido.

A Gender Links prevê criar uma plataforma de prevenção de uniões forçadas e violência sexual baseada no género, para apoiar organizações locais que lidam com casamentos prematuros e mediar os casos nos tribunais.

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