Laudolino Medina, secretário executivo da Associação Amigos da Criança (AMIC), disse à Lusa que “com muita pena” teve de dar ordens para que as 20 raparigas regressassem aos ambientes familiares, desde o mês de março, altura em que as autoridades declararam o estado de emergência sanitária.

A AMIC teve de acelerar o mecanismo de “mediação junto da família” para permitir que regressem aos ambientes familiares, ainda que mediante alguns riscos de serem novamente alvos de alguma forma de violência, sublinhou Medina.

“Tentámos encontrar um parente, um tio, um primo, que possa receber a jovem”, para que não fique desamparada, já que o centro de acolhimento não tem capacidade de as manter, a partir do momento em que os parceiros da AMIC limitaram as ajudas, notou Laudolino Medina.

O responsável frisou, no entanto, que assim que passar o estado de emergência as raparigas voltam para o centro.

Algumas daquelas jovens foram acolhidas no centro por se terem recusado a um casamento forçado ou precoce, outras por violência doméstica e outras na sequência de incesto.

Todos os casos aguardam por uma decisão da justiça, na sequência de queixas apresentadas pela AMIC contra os agressores.

Laudolino Medina disse à Lusa estar “muito preocupado” com a situação de algumas das raparigas que voltaram para o ambiente familiar, pelos relatos que vai recebendo dos ativistas que as acompanham.

“Os riscos de serem novamente alvo de violência baseada no género é patente”, observou Medina.

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