Cabo Verde chora o desaparecimento da ensaísta, Dulce Almada Duarte, intelectual e linguista, morta na segunda-feira, com a idade de 86 anos.

Dulce Duarte, era uma mulher de Letras, professora e autora de dois livros, “Sobre a língua caboverdiana” abordando questões da língua e da identidade de Cabo Verde, seu trabalho científico de licenciatura em Filologia românica na Universidade de Coimbra, em Portugal, e de “Bilinguismo ou Diglossia?”.

Foi dos primeiros caboverdianos a trabalhar cientificamente com a que viria a ser a língua caboverdiana e seguramente a primeira mulher intelectual de Cabo Verde a analisar questões do crioulo e da identidade caboverdianos.

Dulce Almada Duarte, nasceu na ilha de S. Nicolau e cresceu e fez o Liceu Gil Eanes, em S. Vicente, onde teria, curiosamente, como professor, Baltasar Lopes da Silva, escritor, poeta, advogado e autor do romance Chiquinho e do ensaio O Dialecto crioulo de Cabo Verde.

Nascido igualmente na ilha de S. Nicolau, Baltasar Lopes da Silva, amigo e condiscípulo do pai de Dulce Almada Duarte, inspiraria esta mulher das Letras de Cabo Verde, nos seus trabalhos sobre a língua e a identidade caboverdianas.

Mas, Dulce Almada Duarte, que era casada com Abílio Duarte, um dos líderes do PAIGC e primeiro Presidente da Assembleia nacional de Cabo Verde, teve também papel importante na luta de libertação na Guiné Bissau.

Segundo o escritor e Antropólogo caboverdiano, Manuel Brito-Semedo, Dulce Almada Duarte, foi inclusivamente penalizada enquanto mulher intelectual pelo machismo no seio do PAIGC, pelo que não teve mais destaque na vida política e governamental em Cabo Verde, preferindo projectar o marido.


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