O Presidente do Botsuana, Mokgweetsi Masisi, lançou hoje oficialmente o debate público sobre esta questão sensível, durante uma visita a Maun, a capital turística, no nordeste do país, anunciou o ministro responsável por este dossiê, Pelonom Venson-Moitoi.

A consulta nacional vai durar um mês e será depois elaborado um relatório para ser apresentado ao Governo, referiu o ministro, na sua conta do Twitter.

O lançamento deste debate surge após a saída do poder do Presidente Ian Khama, considerado um defensor da fauna selvagem no seu país, tendo interditado em 2014 a caça comercial aos elefantes e a outras espécies ameaçadas.

Esta decisão mereceu críticas, nomeadamente no Partido Democrático do Botsuana (no poder), tendo um deputado desta formação apresentado uma moção no parlamento a pedir o levantamento da interdição.

O Botsuana abriga a maior população africana de elefantes em liberdade, com uma estimativa de 135.000 animais, segundo dados de 2015.

A riqueza da sua fauna tornou o Botsuana uma atração para safaris, um dos motores da economia do país, que desenvolveu uma força anti-caça ilegal considerada como exemplar no mundo.

Até maio último, estas forças estavam fortemente armadas e autorizadas a atirar sobre os caçadores furtivos.

No entanto, o Presidente Masisi ordenou o desarmamento desta força, alegando estar a cumprir a lei que proíbe a posse de armas a estas unidades.

Esta decisão foi criticada pela organização não-governamental Elefantes Sem Fronteiras, que deu conta do aumento do número de elefantes mortos por caçadores furtivos, atribuindo esta subida ao desarmamento da força responsável pela proteção dos animais.

As autoridades de Gaborone consideraram que estes números são “falsos e enganadores” e negam que a decisão do Presidente de desarmar os guardas tenha feito aumentar a caça ilegal no país.

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), 30.000 elefantes são vítimas da caça furtiva por ano.