Laudolino Medina afirmou que a Polícia Judiciária (PJ), “que costumava reagir a um simples telefonema da AMIC em casos de denúncia”, deixou de dar resposta a situações concretas.

O líder da AMIC referiu um caso, ocorrido na semana passada em Bissau, em que a organização teve conhecimento da morte de uma jovem, suspeita de violência doméstica, mas, disse, a PJ foi chamada e não se disponibilizou a analisar o cadáver.

“O agente até quis lá ir, mas foi aconselhado pelo superior hierárquico a não ir à casa onde estava o cadáver por falta de material de proteção e o agente não foi”, declarou Laudolino Medina.

O líder da AMIC lamenta que a situação tenha impedido que se saiba a verdadeira causa da morte da jovem.

Laudolino Medina disse que o sistema judicial “no seu todo” – polícia e tribunais – não está a dar respostas às demandas perante a “clara sensação de aumento de violência”, nomeadamente agressões físicas entre os cônjuges, de pais a filhos e situações de casamento forçado.

Instado a comentar os motivos para o aumento daquelas situações, Medina afirmou que o confinamento social, imposto pelas autoridades como medida para evitar o alastramento da COVID-19, faz com que haja mais interação entre pessoas da mesma família durante muito tempo.

“O chefe da família passa imenso tempo em casa, muito das vezes, sem capacidade de atender às demandas familiares, porque está sem dinheiro, o que potencia chatices que acabam em violência”, observou Laudolino Medina.

O responsável disse que “um outro estratagema” que os familiares utilizam para debelar a crise passa por dar em casamento, “mesmo que de forma precoce, a filha ou a sobrinha” e desta forma receber o dote que é utilizado para o sustento do resto da família.

“É uma clara estratégia de sobrevivência em curso”, declarou o líder da AMIC.

Laudolino Medina entende que a pandemia da COVID-19 “apanhou todos de surpresa”, incluindo a sua organização, que, disse, teve que reorientar as suas ações de proteção das crianças para a sensibilização contra a doença, mas disse ser necessário redobrar a vigilância.

A Guiné-Bissau já registou desde o início da pandemia mais de 1.300 infeções por COVID-19 e oito vítimas mortais.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.