Uma sobrevivente do Holocausto de 89 anos recebeu a proteção da polícia italiana depois de ser ameaçada centenas de vezes nas redes sociais.

Liliana Segre, que foi enviada ao famoso campo de extermínio de Auschwitz aos 13 anos, foi submetida a uma enxurrada de mensagens antissemitas nos últimos dias.

Segre, que é senadora vitalícia na Itália, pediu ao Parlamento do país a criação de um comitê para combater crimes de ódio.

A moção foi aprovada apesar da falta de apoio dos partidos de direita.

Membros do partido nacionalista A Liga, liderado por Matteo Salvini, da sigla de centro-direita Força Itália, e os Irmãos da Itália, da extrema-direita, se abstiveram da votação em Milão na semana passada.

A moção pedia o estabelecimento de uma comissão extraordinária para combater todas as formas de racismo, antissemitismo, incitação ao ódio e violência por motivos étnicos e religiosos.

Após a votação, Segre disse que as abstenções dos partidos de direita a fizeram se sentir “como uma marciana no Senado”.

“Eu apelei à consciência de todos e pensei que uma comissão contra o ódio como princípio seria aceita por todos”, disse ela na época, segundo o jornal italiano La Repubblica.

Depois de propor a abertura da comissão, a senadora recebeu cerca de 200 mensagens de ódio por dia.

Escolta em locais públicos

Algumas das ameaças foram tão graves que o prefeito de Milão, Renato Saccone, realizou uma reunião na quarta-feira (06/11) com o comitê de segurança e ordem pública, quando foi concluído que Segre precisava de proteção policial.

A medida inclui uma escolta policial com dois agentes para que a senadora possa andar por locais públicos.

Enquanto isso, o Ministério Público de Milão disse que abriu uma investigação sobre as mensagens de ódio contra Segre e solicitou apoio da polícia antiterrorismo da Itália.

Segre nasceu em Milão em 1930. Ela fugiu da perseguição nazista na Itália com seu pai em dezembro de 1943.

Depois de não conseguirem se refugiar na Suíça, os dois foram enviados de trem para o campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia ocupada pelos nazistas, no mês seguinte. No local, seu pai e avós foram mortos.

Juntamente com outros prisioneiros judeus transferidos de Auschwitz em janeiro de 1945, Segre foi levada ao campo de concentração de Ravensbrück, na Alemanha.

Semanas depois, foi transferida para outro campo operado pelos nazistas — que posteriormente foi liberado pelo Exército Vermelho da União Soviética.

Segre foi nomeada senadora italiana pelo presidente Sergio Mattarella em janeiro de 2018.

A Itália tem uma população de cerca de 30 mil judeus. Mais de 7.500 judeus italianos morreram durante o Holocausto.


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