Dissera ele que a origem do nosso nome remonta de factos nunca antes registados e que #MONDLANE não é, como se pensa, o princípio da saga.
Segundo ele, se não me falha a memória, há muito, muito tempo, viviam numa localidade, algures na província de Gaza, os Cambane, filhos dos Dzovo, primos dos Macuácua. Era um povo humilde, solidário e muito acolhedor.
Tamanha era a bondade daquele povo, que todos os sedentos e desamparados, incluindo os guerrilheiros das guerras características da época, dirigiam-se para lá em busca de refúgio.
O local passou a ser conhecido como a Aldeia dos Mandla ya Kahlê (do changana, que traduzido para a língua portuguesa significa "mãos boas") está aqui patente a origem do nome Manjacaze, um distrito da província de Gaza, também conhecido como Mandlakazi.
Explicou-me o meu querido irmão, que esta mudança foi meramente influenciada pela evolução da linguagem, que viria a influenciar igualmente a maneira como somos chamados hoje, nós os MONDLANE.
Ora, os Cambane, da Aldeia dos Mandla ya Kahlê (Manjacaze) ou, se prefirirem, Mãos Boas, foram apelidados MA-UNDLANA (que traduzido do changana para a língua portugesa, siginifica Os Criadores). O facto resultara do acolhimento a diversos migrantes, que por longos anos mantiveram-se refugiados em Mandla ya Kahlê, onde consequentemente viram os seus filhos serem educados segundo as normas do novo lar.
Mais uma vez, a língua viria a impôr mudanças. É que, com o andar da carruagem, os MA-UNDLANA começaram a ser chamados Mondlane. Porquê? Para explicar, desafio o leitor a fazer o mesmo exercício que me desafiara a fazer o meu irmão Acacio: "Recite a palavra Ma-Undlana 10 vezes consecutivas e muito rápido" - qual foi o resultado? #Shortcut (risos)
O nome MONDLANE viria a ser chamado por muitos anos, sem quaisquer problemas, até que se decidiu arquitectar a Unidade Nacional.
Vamos à política?
Sim. Um tal de Eduardinho (entenda-se a forma carinhosa de tratamento - pode ser meu avô) o Chivambo, concluiu que estava na hora de passar a administração de Moçambique, que na altura era uma colónia de Portugal, aos moçambicanos e que para tal seria necessário que o povo se posicionasse e mantivesse Uno e Indivisível.
As suas ideias foram acolhidas com agrado por todos, excepto, obviamente, pelos colonialistas portugueses.
Daí que fora desencadeada uma forte perseguição contra Eduardo Chivambo Mondlane, Arquitecto da Unidade Nacional e primeiro Presidente da FRELIMO, Frente de Libertação de Moçambique.
Nesta perseguição, foram afectados todos os Mondlane, que começaram a ter as suas vidas inviabilizadas, vendo-se obrigados a remover o apelido dos respectivos nomes, ou a encontrar alternativas para manter a marca da família. Monjane foi uma das alternativas, entre tantas outras encontradas.
PS1: Sobre a autenticidade desta história, nada posso garantir. Mas devo dizer que me lisonjea o facto de poder responder, quando eventualmente sou questionado sobre a minha origem. Para já, aguardo a publicação do livro do jornalista Jorge Dick Saene. O também Antigo Combatente da Luta de Libertação Nacional está a desenvolver uma pesquisa sobre a origem dos MONDLANE.
PS2: Voltando à questão inicial, considerando a estória acabada de narrar, MONJANE ou MONDLANE... como devo registar os meus filhos?
Cordiais saudações de
António Monjane
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