“Um défice global de GNL vai surgir na próxima década, devido à crescente procura da Ásia, o impulso de uma crescente população mundial e mais procura por mais energia e mais limpa”, disse hoje Meg O'Neill, diretora de Operações da Woodside.

“De facto, há uma corrida global para aproveitar essa mudança no mercado, com projetos de GNL recentemente aprovados ou a aguardar FID [Decisão de Investimento Financeiro (FID, na sigla em inglês)] nos EUA, Canadá, Rússia, Catar, Nigéria e Moçambique”, referiu.

Meg O'Neill falava na Assembleia Geral da Woodside, que decorreu hoje em Perth, na Austrália Ocidental, num longo discurso em que se referiu aos vários projetos da petrolífera, embora sem nunca se referir ao dos poços do Greater Sunrise.

Em entrevista à Lusa, a 08 de março, o presidente e diretor executivo da petrolífera timorense Timor Gap, Francisco Monteiro, assumiu que a empresa está a ultimar a concretização da compra das participações da ConocoPhillips e da Shell no consórcio do Greater Sunrise, num investimento sem precedentes no país.

A concretizar-se o negócio, Timor-Leste assumirá uma participação maioritária de 56,6% no consórcio do projeto. Além de Timor-Leste, através da sua petrolífera, o consórcio conta com a Woodside, como operadora, e a Osaca Gas.

Apesar de não comentar o projeto do Greater Sunrise, O’Neill referiu-se no seu discurso à questão que mais tem afetado o projeto, nomeadamente o modelo de desenvolvimento: um gasoduto para Timor-Leste ou para Darwin ou uma plataforma flutuante.

Timor-Leste defende a opção de um gasoduto para o sul de Timor-Leste, solução que a Woodside nunca preferiu mas que recentemente disse poder aceitar, ainda que sem investir nesse modelo e admitindo, antes, recorrer ao gasoduto já existente para Darwin.

“Projetos que podem conter custos, trazendo novos recursos através de instalações existentes e comprovadas, terão uma vantagem inicial”, disse O’Neill, dando como exemplo outros projetos da petrolífera.

Assim, explicou, em vez de “mega-projetos” como os que fez no passado, a petrolífera quer desenvolver vários projetos entre “20 a 25 triliões de pés cúbicos de recursos brutos de gás”, mas “não com a construção de novas infraestruturas de processamento”, mas atualizando e conectando as “instalações existentes”.

Na semana mesma entrevista anterior à Lusa, o presidente e diretor executivo da Timor Gap, Francisco Monteiro, disse que Timor-Leste quer evitar recorrer ao Fundo Petrolífero (FP) para financiar os custos de capital (CAPEX) até 12 mil milhões de dólares (10,6 mil milhões de euros) para o desenvolvimento do projeto do gasoduto para Timor-Leste e processamento na costa sul.

Após o início da produção, é esperado um retorno financeiro que pode alcançar os 28 mil milhões de dólares (cerca de 25 mil milhões de euros), explicou o responsável.

“A nossa estimativa conservadora é de que pelo menos 28 mil milhões entrarão no FP do Greater Sunrise, sem contar outros benefícios económicos como empregos criados, por isto ocorrer em Timor-Leste”, disse Monteiro.

No cenário mais conservador de lucros, as contas da Timor Gap assentam na previsão de que o Greater Sunrise tem reservas de 4,6 triliões de pés cúbicos de gás e 226 milhões de barris de petróleo, com um preço de 62,5 dólares por barril.