Ao anunciar hoje este novo contributo financeiro, que se segue a um primeiro pacote de ajuda no montante de 42 milhões de euros disponibilizado no início de 2020, a Comissão Europeia aponta que a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) formulou um plano de resposta, “mas dada a contínua crise de gafanhotos do deserto, as intervenções dos países devem ser aumentadas para apoiar os governos nacionais dos países afetados”.

Bruxelas sublinha que a praga de gafanhotos do deserto “tem tido um impacto devastador na segurança alimentar numa região já de si vulnerável”, e os esforços para travar a propagação da infestação de gafanhotos têm sido dificultados pela pandemia de covid-19.

Segundo a Comissão Europeia, “as condições meteorológicas têm sido invulgarmente propícias à criação e maior disseminação de gafanhotos”, e “os danos às culturas e pastagens têm sido devastadores” no Quénia, Etiópia e Somália e o surto pode propagar-se aos países vizinhos, particularmente Djibuti, Eritreia, Sudão do Sul, Tanzânia e Uganda, sendo que Iémen, Sudão, Irão, Índia e Paquistão também estão em risco.

O gafanhoto do deserto é considerado a praga migratória mais destrutiva do mundo, com as perdas de culturas e alimentos nas áreas afetadas a gerarem “impactos negativos diretos dramáticos sobre a agricultura e os meios de subsistência”.

O problema é tanto mais grave dado a região da África Oriental já ser extremamente vulnerável, estimando-se que 27,5 milhões de pessoas sofram de grave insegurança alimentar e pelo menos mais 35 milhões estejam em risco.

O plano de resposta da FAO estima que serão necessários cerca de 206 milhões de euros para as atividades mais urgentes, tanto para o controlo de gafanhotos do deserto como para a proteção e recuperação dos meios de subsistência agrícola.

“Os nossos amigos e parceiros no Corno de África sofreram as consequências catastróficas deste surto de gafanhotos do deserto sobre os meios de subsistência e segurança alimentar, uma situação que é agravada pela pandemia do coronavírus, que tornou os esforços de intervenção mais difíceis”, comentou a comissária europeia responsável pelas Parcerias Internacionais.

Segundo Jutta Urpilainen, a decisão de hoje de aumentar o apoio mostra que a UE está determinada a continuar a sua ação para combater a insegurança alimentar como membro fundador da Rede Global Contra as Crises Alimentares.

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