"Prevemos uma actividade económica abaixo do potencial, com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) talvez a bater no ponto mais baixo este ano, com um crescimento de 3,5%, o que compara com a previsão de 5,3% do Governo, face aos 3,7% de 2017 e aos 3,8% de 2016", escrevem os analistas.

Na mais recente análise dos mercados africanos, enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os analistas do Standard Bank antecipam que Moçambique cresça 3,7% no próximo ano "devido às esperadas decisões finais de investimento nas Área 1 e 4 dos projectos da Bacia do Rovuma, que valem respectivamente cerca de 25 e 30 mil milhões de dólares, aliviando as pressões sobre a balança de pagamento e impulsionando a economia quando a construção da central de Gás Natural Liquida começar".

O crescimento da economia continuará a esta assente nas actividades primárias, que representam um terço do total, que deverão ter desempenhos particularmente positivos na agricultura e no sector mineiro, mas o resto da economia continuará abaixo do potencial.

A procura interna, dizem, deverá continuar limitada este ano, ainda que no ano passado tenha tido um "crescimento fenomenal, apoiado pelo aumento na produção de carvão e na subida dos preços das matérias-primas".

O investimento, por seu lado, "deverá contrair-se ainda mais, com o consumo privado a ficar limitado devido ao baixo rendimento disponível, apesar do abrandamento da inflação", que o Standard Bank prevê que fique nos 4,3% este ano e nos 7,3% em 2019.

O metical, nas previsões do Standard Bank, "poderá cair para os 55" face ao dólar no próximo ano, apoiado pelas entradas de investimento no sector do Gás Natural Líquido, o que representa uma melhoria face aos 59 meticais por dólar no final de 2017 e aos 71,2 no final do ano anterior.

Sobre a questão da dívida pública, os analistas mantêm a ideia de que os credores não vão aceitar a proposta apresentada pelo Governo em Março, em Londres: "Não esperamos que os detentores dos títulos de dívida pública e os credores dos empréstimos da MAM e da Proindicus aceitam a reestruturação proposta pelo Governo".

A ausência de um programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI) "também é visto como um impedimento à confiança, com consequências claramente negativas", acrescentam, notando que "já há evidência que aponta para um afastamento do crédito ao sector privado, aumento de atrasos nos pagamentos domésticos e uma crescente vulnerabilidade financeira das empresas públicas que compromete a estabilidade macroeconómica".

Ainda assim, dizem, a previsão é de uma "descida no rácio da dívida face ao PIB nos próximos dois anos, ao contrário das previsões do FMI", de 106,8% este ao, para 101,2% do PIB em 2019 (o FMI prevê 110,1% este ano e 116,6% no próximo).