“Moçambique tem um papel extremamente importante com quatro projetos” apresentados, refletindo “uma visão geral do Governo partilhada pelo BAD: utilizar os grandes recursos naturais de gás como plataforma para diversificação económica do país”, disse Pietro Toigo, hoje, em conferência de imprensa.

No encontro participou também o ministro do Comércio e Indústria, Ragendra de Sousa, que disse haver interesse de investidores em financiar os cerca de 1,2 mil milhões de dólares de que a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) precisa para suportar a sua quota de 15% no consórcio da Área 1 de exploração de gás natural – liderado pela Total – no Norte do país.

“Viemos satisfeitos, com muitas esperanças”, referiu, em linha com as declarações do primeiro-ministro moçambicano, na segunda-feira, em Joanesburgo, ao lado de Akinwumi Adesina, presidente do BAD – que destacou o projeto da ENH como o maior em negociação no fórum.

Ragendra de Sousa detalhou hoje os outros projetos apresentados por Moçambique aos investidores.

Um deles procura 40 a 45 milhões de dólares para uma unidade têxtil nas imediações de Maputo (Marracuene) e deverá receber garantias ao abrigo do programa financeiro Compacto Lusófono, referiu.

Outro projeto requer valores da mesma ordem para produção de arroz em “larga escala” na província da Zambézia (Mopeia) juntando investidores moçambicanos e espanhóis.

Moçambique captou ainda o interesse de investidores para o alargamento do porto da cidade da Beira, para escoar carvão, no Centro do país, orçado em 50 milhões de dólares.

As manifestações de interesse vão ser agora acompanhadas pelo próprio BAD e por um quadro do governo moçambicano, precisou Ragendra de Sousa.

Os detalhes sobre investidores e eventuais participações financeiras estão sob acordos de confidencialidade aplicados ao fórum.

O ministro classificou o encontro como “uma plataforma absolutamente incrível” da qual os membros da comitiva moçambicana voltaram a casa “absolutamente satisfeitos”.

Os quatro projetos moçambicanos fazem parte de um conjunto de nove de economias lusófonas que receberam manifestações de interesse de investidores esta semana em Joanesburgo, referiu Pietro Toigo.

O representante do BAD em Maputo salientou que o presidente da instituição, Akinwumi Adesina, “tem uma atenção particular às oportunidades apresentadas pelas economias lusófonas em África”.

“Neste contexto, estamos muito satisfeitos: dos 2.500 delegados que participaram no fórum, acima de 100 eram de países lusófonos”, detalhou.

O BAD está junto com o Governo português no programa Compacto Lusófono, cujo comité de acompanhamento se reuniu pela terceira vez à margem do fórum de investimento, acrescentou Pietro Toigo.

No encontro foram determinados “os mecanismos para mobilização das garantias disponibilizadas pelo Governo de Portugal, no valor de 400 milhões de euros”, além de se discutirem projetos candidatados à iniciativa e o possível alargamento de participação a outras instituições.

O Compacto Lusófono, assinado em novembro de 2018, em Joanesburgo, é uma parceria de investimento entre o Grupo BAD, Portugal e os seis países africanos de língua oficial portuguesa para financiar projetos com garantias do Estado português, através da Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento (Sofid).

O primeiro projeto vai avançar em Moçambique: trata-se de uma linha de crédito de 30 milhões de dólares, que vai ser gerida pelo banco BCI.

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