De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, que cita fontes próximas do processo, a primeira e mais significativa fase dos financiamentos para o projeto de gás natural liquefeito no norte do país, na Área 1, o maior investimento privado em África, envolve instituições financeiras, incluindo 20 bancos.

A garantia de 15 mil milhões de dólares (13,6 mil milhões de euros) em financiamento para a construção do projeto orçamentado em 23 mil milhões de dólares (21 mil milhões de euros), que vai liquefazer gás natural para exportação, surge numa altura em que as companhias de petróleo e gás estão focadas no controlo dos custos, num contexto de redução da procura por energia e pressão nos preços, cortando os lucros das empresas.

O projeto Mozambique LNG será o primeiro empreendimento em terra de exploração de gás natural na bacia do Rovuma, constituído inicialmente por dois módulos com uma capacidade nominal de 12,88 milhões de toneladas por ano (mtpa).

Os projetos de gás natural, com os quais o Governo espera receitas na ordem dos 38 mil milhões de dólares (34,6 mil milhões de euros), devem entrar em produção dentro de aproximadamente cinco anos e colocar a economia do país a crescer mais de 10% anualmente, segundo o Fundo Monetário Internacional e outras entidades.

O grupo de 20 bancos inclui o Rand Merchant, o Standard Bank e a Societe Generale, que é também o consultor financeiro da operação, apontou a Bloomberg.

"Estamos muito agradados em ver progressos, aprovámos grandes participações em Moçambique e em empréstimos comerciais e estamos ansiosos por assinar os acordos nas próximas semanas", disse o chefe do departamento de petróleo e gás no Standard Bank, Dele Kuti, em declarações à agência.

Um porta-voz da Total confirmou que o projeto deverá recomeçar as operações em junho, na sequência do encerramento devido à propagação da pandemia provocada pelo novo coronavírus.

Na terça-feira, a Total tinha já reafirmado a data de exploração de gás natural no país, sete semanas após suspensão temporária de atividades devido à descoberta do primeiro caso de covid-19 no futuro complexo industrial de processamento de gás natural em Cabo Delgado.

"Com base nas previsões atuais, essa suspensão temporária de atividades não terá um impacto material no cronograma do projeto e continuamos no caminho certo para efetuarmos a entrega das primeiras cargas de Gás Natural Liquefeito em 2024", lê-se na 'newsletter' da petrolífera francesa distribuída na terça-feira.

Os primeiro caso de COVID-19 descoberto no complexo industrial de processamento de gás natural da Total em Afungi, Cabo Delgado, foi anunciado a 2 de abril, seguindo-se várias outras infeções que tornaram o local um foco de contaminação e que colocaram a província com maior número de casos de COVID-19 em Moçambique.

A petrolífera foi obrigada a isolar alguns trabalhadores e suspender temporariamente as suas atividades, deixando em funcionamento apenas "trabalhos mínimos" na área do projeto para a exploração de gás no norte.

"Por enquanto, os que permanecem em Afungi estão a trabalhar na segurança e na logística, bem como no programa de desinfeção. Depois que o sítio for declarado livre da COVID-19 e em conformidade com as diretrizes do Ministério da Saúde, retornaremos gradualmente ao trabalho", acrescentou a petrolífera francesa.

Em África, há 2.912 mortos confirmados, com mais de 91 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia no continente.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de COVID-19 já provocou mais de 323 mil mortos e infetou quase 4,9 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,8 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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