"Não dê um centavo a ninguém para importar alimentos para o país" - estas terão sido as palavras dirigidas pelo Presidente Muhammadu Buhari ao Banco Central da Nigéria, segundo o seu porta-voz, Garba Shehu. "O Presidente Muhammadu Buhari revelou que instruiu o Banco Central da Nigéria a deixar de fornecer divisas estrangeiras para a importação de alimentos para o país", afirmou o porta-voz, na terça-feira (13.08).

Além de levantar questões sobre a independência do Banco Central da Nigéria, a decisão de Muhammadu Buhari de suspender o financiamento para importar alimentos faz soar o alerta de que o "tiro pode sair pela culatra".

Produtos alimentares como leite e arroz estão entre os visados ​​pela decisão do Presidente Buhari. A partir de agora, a importação será mais complicada, uma vez que o Banco Central da Nigéria não concederá mais moeda estrangeira aos importadores de alimentos.

A decisão do chefe de Estado surge duas semanas depois de um anúncio semelhante feito pelo governador do Banco Central, Godwin Emefiele.

Os empresários nigerianos condenam a medida e temem que a decisão acabe por alimentar o mercado informal.

Promover a produção nacional

Especialistas, no entanto, apontam efeitos positivos da nova política. O economista nigeriano Garba Sheka lembra que "as commodities são mais baratas, comparando com a produção local. Por isso, com esta política, o Governo procura beneficiar os produtores locais, ou estes estariam desencorajados a produzir".

Outro economista, Ariel Nitedem, professor da Universidade de Yaoundé, nos Camarões, considera que "a decisão é benéfica para a economia nigeriana, porque permite limitar a saída das moedas, utilizando-as apenas para as coisas que não se pode fabricar localmente, ou produtos que são altamente estratégicos para a economia, o que possibilita promover a indústria na Nigéria".

Nitedem afirma que a política permitirá também gerar emprego. "Tenho de dizer que é um gesto louvável para um líder africano", conclui.

O próprio Presidente Muhammadou Buhari anunciou que deseja reduzir a dependência do país dos produtos alimentares importados e diversificar a economia, depois de uma prolongada dependência do petróleo.

No entanto, a interferência direta do chefe de Estado no Banco Central gerou críticas, demonstrando que a instituição não possui independência do poder político.

Atenção ao Livre Comércio

Entretanto, a Nigéria assinou o Acordo de Livre Comércio Continental Africano - que visa criar um bloco livre de tarifas comerciais entre os países – e, para o economista nigeriano Garba Sheka, este acordo é um grande desafio para a Nigéria.

O especialista alerta para a necessidade de políticas públicas mais sérias para o setor agrícola: "O Governo assinou o Acordo de Livre Comércio Africano, do qual fazem parte países muito mais eficientes que a Nigéria. Há países, como a África do Sul, que podem produzir mais barato e não haverá restrições para que os seus produtos entrem no mercado nigeriano", frisa.

O economista alerta para consequências políticas, "a não ser que o Governo se certifique de que o produto nigeriano será mais barato comparado com o dos outros países".

A Nigéria é o maior produtor de petróleo em África. É também a principal potência económica do continente, com mais de 190 milhões de habitantes.

por:content_author: Eddy Micah Jr., Henri Fotso, Reuters, tms

 

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