"No período anterior e posterior ao desastre [dos ciclones Idai e Kenneth], trabalhámos muito na preparação, na reação e na recuperação, mas é fundamental trabalharmos juntos na construção de resiliência, para que as próprias comunidades possam ser fortes e ter a capacidade de responder aos desastres naturais", disse a representante do programa em Maputo, onde assinou um memorando com o Governo.

O memorando formaliza a implementação de uma estratégia que começou em 2017 e deve durar cinco anos, com o objetivo de garantir a expansão da assistência humanitária e apoiar os esforços e as políticas do Governo na luta contra a fome, particularmente nas áreas atingidas pelos dois ciclones.

Metade dos 300 milhões de dólares já foi canalizada para o Ministério da Agricultura para colocar em prática as atividades que visam aumentar a produção agrícola, afirmou Karin Manente.

O ministro da Agricultura, Higino de Marrule, lembrou que o Governo está a trabalhar num Plano Estratégico para eliminar a pobreza até 2030, mas os efeitos das catástrofes naturais que assolam Moçambique limitam a sua capacidade de produção alimentar.

O ciclone Idai, que atingiu o centro de Moçambique em março, provocou 604 mortos e afetou cerca de 1,5 milhões de pessoas.

O ciclone Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matou 45 pessoas e afetou 250.000.

No total, os ciclones destruíram cerca de 780 mil hectares de plantações agrícolas.

Mais de meio milhão de pessoas ainda vivem em locais destruídos ou danificados, enquanto outros 70.000 permanecem em centros de acomodação de emergência, segundo o mais recente relatório da Organização Internacional das Migrações (OIM), redigido em julho e que alerta para a falta de condições para enfrentar a nova época chuvosa, que começa em novembro.

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