"A exploração de gás natural pode melhorar, e muito, as condições económicas, fazer com que o país tenha mais receitas e contribuir para um nível mais alto de excedente orçamental e, nesse ponto, Moçambique pode pensar na criação de um fundo soberano ou outro veículo financeiro para ser uma almofada contra choques futuros e ajude o povo moçambicano", disse Sheirf Khaled.

Em entrevista à Lusa em Abidjan, à margem da reunião extraordinária de governadores do BAD que aprovou o aumento de capital do banco para 208 mil milhões de dólares, o vice-presidente com o pelouro da Integração e Desenvolvimento Regional salientou que os megaprojetos de gás natural no norte do país podem contribuir para melhorar as condições dos outros setores económicos.

"Pode melhorar a agricultura de subsistência e evoluir para um agronegócio com uma estratégia dinâmica e integrada, e pode fomentar a eletrificação com diferentes soluções energéticas, pode potenciar outras indústrias, como os plásticos, fertilizantes e metais, como o alumínio, por isso estamos encorajados que a exploração de gás natural pode ser uma maneira de garantir a estabilização macroeconómica", apontou o banqueiro.

O ministro da Economia e Finanças de Moçambique, Adriano Maleiane, disse em setembro em Maputo que o país vai instituir um fundo soberano com as receitas da indústria extrativa, faltando apenas definir o montante e a finalidade da verba.

Moçambique, considerou o responsável do BAD, é um exemplo perfeito de um problema que afeta várias nações africanas, com altos níveis de pobreza e baixo rendimento para investimentos do setor privado.

"Moçambique é um pais de 27 milhões de pessoas, com metade delas a viver com menos de dois dólares por dia, e com este rendimento, o nível de consumo dará um sinal muito negativo ao setor privado para investir, e o desemprego torna-se persistente e inevitável", disse Sherif Khaled, apontando que "é preciso criar riqueza, que vai aumentar o nível de rendimento que, por sua vez, aumenta o consumo e potencia a iniciativa privada, garantindo investimentos e empregos".

Mesmo com estas dificuldades, que incluem um défice de 4 a 5% do PIB entre 2011 e 2017 e catástrofes naturais cíclicas, "é extraordinário que Moçambique ainda tenha conseguido acabar 2018 com um crescimento de 3,5% e que deva crescer 5,8% no próximo ano", elogiou o vice-presidente do BAD.

Estes crescimentos, concluiu, "são um reflexo das reformas em curso para limitar a inflação, melhorar as empresas públicas, a posição orçamental, o fim dos subsídios, e todas estas alterações atestam a seriedade do que o Governo está a fazer".

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