O chefe da diplomacia iraniana fez estas declarações numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo alemão, Heiko Maas, em Teerão, onde os dois ministros se reuniram, referindo ainda que tiveram “uma discussão séria, franca e bastante longa”.

"A nova tensão na nossa região é devida à guerra económica dos Estados Unidos (…). A única maneira de reduzir essas tensões é o fim" dessa guerra, destacou o ministro iraniano.

O chefe da diplomacia iraniana também alertou que o Irão "nunca" iria iniciar uma guerra, mas, se for atacado, "o outro país, não seria aquele a terminá-la".

Sobre uma possível negociação com os Estados Unidos, Zarif insistiu que depois dos norte-americanos terem saído unilateralmente - há um ano - do acordo nuclear de 2015, o resto dos signatários do pacto (Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) deveriam primeiro "mostrar ao Irão que estas conversações seriam úteis”.

A esse respeito, Heiko Maas ressaltou que a União Europeia (UE) está a fazer todos os esforços para proteger o pacto nuclear, que limita o programa atómico do Irão em troca do levantamento de sanções internacionais, e evitar um conflito entre o Irão e os Estados Unidos.

O ministro alemão disse que a UE está a tentar "compensar a retirada dos Estados Unidos" do pacto nuclear e "materializar os seus compromissos", mas reconheceu que "não pode fazer milagres".

Maas destacou o direito do Irão de beneficiar do acordo e disse que o mecanismo financeiro para facilitar o comércio com o Irão, chamado Instex, estará em funcionamento em breve.

Sobre o aumento da tensão entre o Irão e os EUA, o ministro alemão disse que a Alemanha e a UE estão a agir para evitar outra guerra como a da Síria ou do Iémen, referindo que "qualquer incidente pode levar a uma situação descontrolada".

Antes do encontro com Zarif, Heiko Maas apelou ao Irão que respeite o acordo nuclear internacional e "mantenha o diálogo com a Europa".

Também hoje, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) mostrou que está "preocupada com o aumento das tensões" entre os Estados Unidos e o Irão.

Este pacto está ameaçado desde que os Estados Unidos decidiram retirar-se unilateralmente do acordo em maio de 2018 e decidiram ainda restaurar ainda uma série de sanções económicas contra o Irão.

Desde a retirada dos EUA, a Alemanha é, juntamente com a França, o Reino Unido, a Rússia e a China, um dos Estados que ainda faz parte do acordo de Viena.

Sob os termos deste acordo, o Irão concordou em limitar drasticamente o seu programa nuclear, para garantir que não construa armas atómicas, em troca da suspensão de algumas das sanções económicas internacionais que asfixiavam a sua economia.

Nesta semana, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, também se desloca ao Irão para mediar as tensões existentes entre o Washington e Teerão.

Os Estados Unidos colocaram também recursos militares significativos no Golfo Pérsico e estão a pressionar os seus aliados, como o Japão, para que parem de comprar petróleo iraniano.

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