A missão programada "realiza-se ao abrigo das consultas do Artigo IV, que ocorrem com os países-membros do FMI anualmente", disse à Lusa Ari Aisen, representante do FMI em Moçambique.

O artigo IV requer consultas do FMI às economias dos países-membros, por forma a exercer a sua monitorização e consequente aconselhamento com vista ao crescimento e estabilidade económica e não inclui ajuda financeira.

Já em Janeiro, Ari Aisen havia referido à Lusa que a relação ente Moçambique e o FMI em 2019 seria somente ao abrigo das consultas previstas naquele artigo do Fundo.

O ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, referiu também no início do ano que, mesmo sem um programa de apoio financeiro ou monitorado, Moçambique compromete-se a cumprir metas a que estaria sujeito naquelas modalidades, nomeadamente na área do combate à corrupção e reestruturação do sector público.

O FMI foi uma das organizações internacionais que suspendeu os apoios financeiros a Moçambique em 2016, na sequência da revelação de empréstimos não declarados por empresas estatais da ordem de 2,2 mil milhões de dólares, que tornaram a dívida pública insustentável e por haver indícios de corrupção.

A visita do FMI acontece numa altura em que, após três anos e meio sem avanços da justiça moçambicana na investigação ao caso, os EUA mandaram deter banqueiros internacionais, um intermediário e o ex-ministro das Finanças Manuel Chang, desencadeando outras 11 detenções em Moçambique.

Vários analistas defendem que as provas permitem ao país lusófono libertar-se de obrigações relativas a mais de metade das dívidas ocultas, com a Procuradoria-Geral da República (PGR) moçambicana a accionar uma acção judicial em Londres nesse sentido.