“Antes, a venda era equilibrada, mas agora mudou, as pessoas tendem mais a ficar em casa e a encomendar as refeições”, conta o gerente.

Moçambique tem cinco casos de infeção registados oficialmente, todos com sintomas ligeiros e em isolamento domiciliário, sendo que foram suspensos eventos com mais de 50 pessoas.

As escolas foram fechadas e os vistos de entrada no país estão suspensos, medidas a vigorar até 23 de abril.

A população continua a circular e trabalhar, mas o distanciamento social já é visível no número de mesas vazias na maioria dos estabelecimentos.

“O fluxo de clientela diminuiu e consequentemente a quantidade de vendas também, este fenómeno afeta-nos negativamente”, sublinha o gerente, referindo que o “aumento significativo” do número de encomendas ainda não compensa.

Érica Macuácua, proprietária de uma empresa de restauração que já apostava nas entregas a domicílio, conta à Lusa que está a tentar dar resposta a um aumento do número de pedidos nas últimas semanas.

Metade das refeições iam para entrega antes da pandemia da covid-19, mas agora já representam 70% do negócio.

“As pessoas estão em casa e tem aquele desconforto ou insegurança em ir ao restaurante e encontrar outras pessoas”, refere Érica Macuácua, acrescentando que a tendência pode crescer devido aos casos registados no país.

Litânia Adriano, supervisora de um restaurante localizado na avenida Julius Nyerere, uma das principais da cidade de Maputo, explica que o seu estabelecimento fornecia refeições a duas escolas, mas desde que foram encerradas, as entregas são feitas em casa dos alunos.

“Havia pessoas que passavam [pelo restaurante] para pegar a refeição dos alunos, mas agora não: nós temos de levar”, acrescenta.

Face a esta situação, o restaurante vai adotar medidas de prevenção para o pessoal das entregas, com vista a evitar a contaminação pela covid-19.

“A não ser que a situação esteja totalmente controlada, ninguém vai querer arriscar-se, então os 'motoqueiros' [de entregas] vão melhorar a higienização”, disse Litânia Adriano.

"O novo procedimento vai ser: tocar a campainha, desinfetar as mãos, entregar a refeição e voltar logo ao restaurante”, acrescentou a supervisora.

O número de mortes causadas pela covid-19 em África subiu hoje para 72 com o número de casos acumulados a ultrapassar os 2.700 em 46 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 450 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 20.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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