"As taxas de juro dos países em desenvolvimento aumentaram, em média, 2,2 pontos percentuais durante o ano de 2018", lê-se num relatório enviado hoje à Lusa, no qual se afirma que "o custo do financiamento para os países de baixo e médio rendimento aumentaram sete vezes mais que os custos para os Estados Unidos durante o ano passado".

O CJD calculou o custo dos juros para os 25 governos de baixo e médio rendimento com dívida pública emitida internacionalmente, deixando de fora desta lista Moçambique por estar em incumprimento financeiro e não ter, por isso, emitido dívida pública nos mercados internacionais durante o ano passado.

Angola, com uma subida de 7% para 8,7% nos juros exigidos pelos investidores para transacionarem a dívida pública angolana, enfrentou um aumento de 1,7 pontos percentuais no custo da dívida, o que, juntamente com a desvalorização de 46% do kwanza durante o ano passado, torna o peso da dívida num dos principais problemas da economia do segundo maior produtor de petróleo na África subsaariana.

"Entre estes 25 países, o juro médio aumentou de 5,8% em janeiro para 8% em dezembro, enquanto a taxa de juro na dívida da 10 anos dos EUA aumentou de 2,4% em janeiro para 2,7% em dezembro, o que equivale a uma subida de 0,3 pontos percentuais", escreve o economista-chefe do CJD, Tim Jones.

"Os custos de financiamento para os governos dos países empobrecidos continuam a subir, enquanto os preços das matérias-primas está novamente a descer; é preciso uma ação urgente para impedir que isto se transforme numa crise da dívida em grande escala", escreve o economista, defendendo que a criação de "regras que tornem todos os empréstimos mais transparentes, para ajudar a garantir que, quando o dinheiro é transferido, seja bem gasto".

O FMI, conclui, "devia obrigar os países a reestruturarem a dívida, em vez de fazer resgate aos credores irresponsáveis".

Entre os países analisados pelo CJD, as taxas de juro subiram mais para os países africanos, num equivalente a 2,5 pontos percentuais, e estão agora, em média, nos 8,6%, ao passo que na Ásia as taxas de juro subiram 1,3 pontos percentuais para 6,6% durante o ano passado.

A emissão de títulos de dívida, uma das principais formas de os países de baixo e médio rendimento responderem à descida do preço das matérias primas desde o verão de 2014, levou a uma subida do nível de endividamento para estes países, e representa agora 23% da dívida externa destes países, sendo uma referência para as taxas de juro cobradas pelos credores institucionais e privados.

As moedas, conclui o relatório do CJD, também se desvalorizaram significativamente face ao dólar, com a maior queda a ser sentida em Angola, com a queda do kwanza em 46% face ao dólar, e rupia paquistanesa, que se desvalorizou 21%, bem acima da média de desvalorização destes países, nos 8%.

PAÍS.......SUBIDA DA TAXA

Zâmbia.........7,7

Ucrânia........3,2

RD Congo.......2,8

Gana...........2,7

C Marfim.......2,5

Quénia.........2,5

Nigéria........2,4

Sri Lanka......2,4

Senegal........2,3

Egito..........2,3

Angola.........1,7

Valores em pontos percentuais

FONTE: Comité para o Jubileu da Dívida