“Depois de uma calamidade, toda a ajuda é importante e necessária e bem-vinda. O facto de ela tomar forma de dívida não é nem anormal nem indesejável”, disse Ricardo Reis, professor de Economia na London School of Economics, à margem das Reuniões da Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington.

“Não me surpreende e parece-me desejável que Moçambique receba muita ajuda e também se endivide nesta altura”, considerou Ricardo Reis, avisando, no entanto, que as dívidas deverão ser pagas num momento de melhoria económica.

“Afinal, é exactamente quando temos um choque mau (…) que queremos usar ou poupanças futuras ou endividarmo-nos mais de forma a poder acorrer às necessidades”, refletiu o especialista, dando como exemplo os casos em que as pessoas se endividam por terem ficado desempregadas.

“O que é essencial é que finda a catástrofe (…) sejamos capazes de poupar para pagar as dívidas anteriores ou para construir o fundo de maneio ou o fundo de emergência para a catástrofe que se segue”, concluiu o especialista.

A dívida pública tem sido objecto de polémica nos últimos anos depois de o Estado ter assumido garantias bancárias para empréstimos na ordem dos dois mil milhões de euros, um caso que está a ser investigado pelas autoridades norte-americanas.

Várias consultoras estimam que a dívida pública já supere os 100 por cento do Produto Interno Bruto, um valor considerado insustentável pelos analistas.

O ciclone Idai atingiu a região centro de Moçambique, o Maláui e o Zimbabué em 14 de março.

Segundo o último balanço das autoridades, o ciclone fez 602 mortos e 1.641 feridos, tendo afetado mais de 1,5 milhões de pessoas no centro de Moçambique.

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