“Há constrangimentos que resultam muitas vezes de mudanças muito rápidas. Muda o ministro, muda o diretor-geral e essa mudança de pessoas resulta no abandono dos dossiês”, disse o empresário português à Lusa à margem do II Fórum de Negócios e Investimentos Turísticos da CPLP, que decorreu na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL).

Durante um debate no fórum, Manuel Proença queixou-se da falta de “consistência” de alguns negócios, sendo Angola o principal alvo das críticas.

“Assinámos um acordo para fazer gestão hoteleira, mas está na gaveta”, lamentou o presidente do Hoti Hotéis, adiantando que vai ter uma reunião com a ministra do Turismo angolana, Ângela Bragança, para discutir o assunto.

O grupo Hoti chegou a ter um hotel na Guiné-Bissau, que abriu ao público em 1990, mas a unidade ficou “inoperacional” na sequência conflito político-militar que teve lugar alguns anos mais tarde e acabou por ser vendido a um grupo líbio.

Em Moçambique, onde inaugurou há menos de seis meses uma unidade com mais de 170 quartos em Maputo, em parceria com a SOFID, num investimento de 22 milhões de dólares, “a intenção é fazer mais hotéis”, garantiu Manuel Proença.

O mesmo responsável considera que, apesar dos problemas da dívida soberana, a exploração do gás abre novas oportunidades, esperando-se para o final do ano a deslocação de trabalhadores e dirigentes ligados a estes projetos, que vão animar a indústria hoteleira.

“De acordo com os últimos dados que recebi, são preciso dois mil apartamentos para instalar as pessoas ligadas à indústria do petróleo e do gás e isso é uma grande oportunidade de desenvolvimento”, sublinhou.

Quanto a eventuais problemas de segurança devido aos ataques de grupos armados em Cabo Delgado, Manuel Proença admite que o norte do Moçambique, embora seja “uma zona turística de eleição”, o crescimento do turismo possa não ser tão rápido como se previa.

Mas lembra, por outro lado, que há um grande incremento do turismo vindo da África do Sul e que Moçambique é dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa o que recebe mais turistas.

“Vai continuar a crescer, a tal ponto que instalámos em conjunto com o nosso parceiro da Meliá um escritório na África do Sul para desenvolver projetos também aí”, frisou Manuel Proença, assegurando que não vai desistir de Angola.

A Hoti Hotéis, uma cadeia hoteleira com 100% de capital português em atividade desde 1978, dedica-se à prestação de serviços hoteleiros, sob a forma de propriedade, exploração, gestão ou franquia.

Está ligada a vários empreendimentos Meliá e TRYP em Portugal e presente em países africanos como Moçambique.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.