“Num contexto destes [de COVID-19], a consolidação fiscal não é a preocupação”, que “deve ser a proteção dos mais vulneráveis”, declarou Ari Aisen, falando numa conferência na Internet intitulada as “Perspetivas Económicas Regionais para a África subsaariana – Moçambique: Uma ameaça sem precedentes para o Desenvolvimento”.

Aisen referiu que as autoridades moçambicanas devem potenciar os mecanismos de proteção social existentes no país, visando assegurar o aumento de ajuda financeira às famílias mais atingidas pela pandemia.

“O peso da informalidade da economia moçambicana e o impacto negativo da COVID-19 faz-nos acreditar que mais famílias ficaram numa situação de maior vulnerabilidade”, afirmou.

As autoridades moçambicanas, prosseguiu, devem encontrar esquemas mais eficientes de fazer chegar o subsídio de pobreza e outras formas de apoio social às pessoas que mais precisam.

O representante do FMI observou que o investimento público na proteção social em Moçambique é proporcionalmente superior ao nível de cobertura, o que dá margem para o aumento do apoio aos mais carenciadas.

“A análise dos investimentos direcionados à proteção social mostra que há uma subida que não tem sido acompanhada pelo aumento da cobertura”, frisou Ari Aisen.

Na atual conjuntura marcada pela pandemia de COVID-19, continuou o responsável, o acesso aos apoios sociais deve ser desburocratizado para alargar os benefícios a mais pessoas.

“A maior parte dos mais carenciados não têm conta bancária e não têm documentos de identificação, mas têm telemóvel e têm conta móvel, estes meios podem ser explorados para fazer chegar mais ajuda”, destacou.

Em Moçambique não existe subsídio de desemprego, mas há subsídio de pobreza, geralmente pago a pessoas idosas nas zonas rurais.

Moçambique registou, nas últimas 24 horas, mais 28 casos positivos de COVID-19, elevando o total para 1.748, mantendo-se com 11 mortos, anunciou hoje o Ministério da Saúde.

A pandemia de COVID-19 já provocou mais de 660 mil mortos e infetou mais de 16,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.