"O aumento da dívida foi sustentado pelo aumento dos défices fiscais numa conjuntura de preços mais baixos das matérias primas e de um crescimento moderado, e foi agravado pela inclusão de dívidas anteriormente não divulgadas em 2016", afirmou hoje à agência Lusa.

Atualmente considerado em situação de sobreendividamento, Moçambique partilha da vulnerabilidade sentida por países de baixo rendimento face às condições dos mercados financeiros.

De acordo com o relatório "Perspetivas Económicas Globais" publicado hoje, a dívida não-concessional dos países de baixo rendimento [Low Income Countries, LIC na sigla em inglês] aumentou na última década em cerca de 23 pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB) para 55% em 2016.

A dívida não-concessional pode referir-se aos mercados de obrigações, modalidade que, vincou a economista, "é mais fácil de gerir estando dependente dos preços dos mercados, mas que também é mais vulnerável às taxas de mercado".

Outra modalidade de dívida não-concessional é a de empréstimos feitos por doadores bilaterais, sobre a qual existe pouca informação disponível.

"Muita da nova dívida externa é de crédito de países externos ao Clube de Paris. Estes países [de baixo rendimento] têm uma capacidade muito limitada de gestão de dívida”, pelo que “a transparência dessa dívida é um problema", comentou Ohnsorge.

O relatório do Banco Mundial hoje divulgado indicou que o crescimento económico de Moçambique abrandou em 2018 para 3,3%, em parte devido à desacerelação da produção de carvão, mas projeta uma expansão de 3,5% em 2019 e de 4,1% em 2020 e 2021.

"A estabilidade da inflação deverá permitir uma maior flexibilização da política monetária que estimule o investimento. Além disso, espera-se que o progresso na implementação de projetos de gás natural na bacia do Rovuma dê um impulso maior nas perspetivas de crescimento, aumentando o investimento e a confiança", afirmou à agência Lusa.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.