"Dada a relutância do Governo em comprometer-se com a total transparência relativamente às finanças públicas, não esperamos que o apoio directo ao Orçamento regresse, a médio prazo, aos níveis registados antes da crise de 2016", escrevem os analistas da Economist.

Numa nota de análise à economia moçambicana, enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, a EIU vinca, no entanto, que "os doadores vão continuar a financiar alguns projectos de desenvolvimento, desde que o financiamento possa contornar o Tesouro".

Para responder a esta restrição financeira, o Governo vai "acelerar os seus esforços para fortalecer as ligações a países asiáticos, particularmente a China, um grade credor de Moçambique, nomeadamente países importadores de gás e carvão".

Estes esforços, no entanto, "vão ser dificultados pelo fraco ambiente operacional do país", concluem os analistas da Economist.

O rombo nas contas públicas surgiu em 2013 e 2014, quando três empresas públicas com negócios de fachada, segundo uma auditoria internacional, contraíram dívidas de cerca de dois mil milhões de dólares, com base em garantias do Estado assinadas à revelia da lei, dos doadores internacionais e das autoridades nacionais, naquele que ficou conhecido como o escândalo das dívidas ocultas.

O destino da maior parte do dinheiro continua por apurar, justificando as empresas que se trata de matéria de segurança nacional.

Entre os credores, há detentores de 727,5 milhões de dólares em títulos de dívida, que já aceitaram uma redução nos pagamentos e uma extensão do prazo da maturidade, o que levou directamente à descida do 'rating' de Moçambique para 'default', ou incumprimento financeiro.

Os detentores destes títulos (que resultam da troca por obrigações da Ematum) recusam ser equiparados a bancos e investidores que emprestaram os restantes 1,4 mil milhões de dólares às empresas públicas Mozambique Asset Management (MAM) e à Proindicus.

Os bancos que emprestaram o dinheiro foram o Credit Suisse e o russo VTB, cujo presidente, Andrey Kostin, disse há um mês à Bloomberg querer reunir-se com o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, "para o convencer a negociar" o pagamento da dívida do país.

A agência de notação financeira Standard & Poor's (S&P) deu como provável no início de Fevereiro uma reavaliação do 'rating' de Moçambique "para emissões em moeda estrangeira, depois de a reestruturação estar completada, embora o prazo não seja ainda claro".

A S&P mantém o país no nível mais baixo de classificação, ou seja, SD ('selective default', no original em inglês) devido ao incumprimento na remuneração de títulos em divisa externa, colocando-o no patamar B- para emissões de dívida soberana de curto prazo em moeda local e em B para longo prazo.

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