O Presidente do Conselho de Administração do Grupo Soico, Daniel David, desafiou, no primeiro dia do MOZEFO 2017, os participantes do Grande Fórum a engajarem-se nos debates, por forma a garantir que do evento saiam soluções pragmáticas para a melhoria das condições socioeconómicas do país.

Daniel David falava perante centenas de participantes, incluindo peritos internacionais ligados aos sectores social, político e económico, que assistiram, esta Quarta-feira, ao arranque oficial do Fórum Económico e Social de Moçambique (MOZEFO), que este ano decorre sob o lema “Conhecimento, Motivação, Acção: Acelerar o Caminho para o Desenvolvimento Sustentável”.

Daniel David apelou também, aos participantes, para aproveitarem as experiências de outros países, trazidas à ribalta pelas personalidades internacionais presentes no Fórum, na qualidade de oradores dos diversos temas em debate.

“O MOZEFO deve garantir a consolidação das instituições e o crescimento económico do país. Para tal, devemos todos assumir a responsabilidade de emprestar o nosso conhecimento, desenvolvendo ideias que tragam benefícios para todos, considerando que somos todos pelo desenvolvimento da nação moçambicana”, disse.

O Presidente da Associação das Confederações Económicas de Mocambique (CTA), Agostinho Vuma apontou, na sua intervenção, a inclusão e a participação de todas as esferas sociais no incremento da produção interna, com vista a dinamização do potencial económico nacional.

“Estando a economia moçambicana a mostrar índices ligeiros de recuperação, o alcance de um desenvolvimento sustentável do nosso país passa, necessariamente, pela inclusão e participação de todas as forcas produtivas do país, na recuperação da nossa economia, razão pela qual a CTA defende a necessidade de acelerar a implementação de reformas no país, visando dinamizar o desenvolvimento económico de Moçambique”, disse Agostinho Vuma.

Por seu turno, o antigo Primeiro-ministro espanhol, José Luís Zapatero, ao ser convidado a proferir o seu discurso, começou por apontar a questão da inclusão social, educação e do empoderamento feminino, com base no respeito à igualdade de género, como fundamentais para um crescimento económico conciso e participativo.

Relativamente às nocividades ao desenvolvimento, Zapatero referiu que “não pode haver espaço para a exclusão social baseada no género, na raça, língua ou cultura quando se pretende um desenvolvimento socioeconómico inclusivo, pelo que a descriminação social, em todos os aspectos, deve ser urgentemente abolida.

Segundo Zapatero, em Moçambique, tal como noutros países africanos, deve-se alargar o acesso à internet, por forma a melhorar o nível de acesso à informação, principalmente por parte da juventude, facto que pode ampliar o campo de visão estratégica dos jovens e despertá-los para a criatividade e inovação.

A abertura oficial do Fórum MOZEFO foi dirigida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Balói, em representação do Presidente da República, Filipe Nyusi.

Balói sublinhou a preocupação do governo em ultrapassar as barreiras impostas pela pobreza, desigualdades sociais e pelas mudanças climáticas.

“Os governos devem acompanhar a evolução científica para que estejam cada vez mais sofisticados e não fiquem alheios ao mundo, devem promover o diálogo franco e aberto, como forma de garantirem a manutenção da harmonia social”, disse Balói.

O ministro não deixou de frisar o papel que o MOZEFO desempenha na busca de soluções viáveis para impulsionar a economia do país, referindo que “o governo vê no MOZEFO uma plataforma onde a sociedade civil, o sector privado e demais intervenientes contribuem, com o seu conhecimento, em prol de um desenvolvimento sustentável e inclusivo”.

As estimativas de participação no segundo Grande Fórum Mozefo apontavam para a presença de cerca de mil pessoas, um número que, logo no primeiro dia, já foi superado.

António Monjane