“A declaração de culpados em maio, julho e mais recentemente a 6 de setembro aumenta a probabilidade de o banco incorrer em penalizaçãoes, que deverão totalizar menos de 75 milhões de dólares, tendo por base as declarações do banco, segundo as quais reteve apenas 23 milhões de dólares em taxas pelos negócios”, escrevem os analistas numa nota enviada aos investidores, e a que a Lusa teve acesso.

O valor de 75 milhões demonstra uma forte revisão em baixa face aos cerca de 300 milhões de dólares que a Bloomberg Intelligence estimava, em janeiro, que o Credit Suisse pudesse ter de pagar.

"Apesar de a acusação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos admitir que os banqueiros contornaram os controlos internos do banco, a má conduta dos indivíduos ainda pode ser imputada ao Credit Suisse porque os banqueiros agiram alegadamente no âmbito do seu emprego no Credit Suisse", escreviam em janeiro os analistas que apoiam também a agência de informação financeira Bloomberg.

"Estimamos um acordo potencial com as autoridades norte-americanas de 100 a 300 milhões de dólares", vincavam então os analistas.

Para estes analistas, os banqueiros Andrew Pearse, Surjan Singh e Detelina Subeva tiveram "a intenção, pelo menos parcialmente, de beneficiar o banco para que trabalhavam", pelo que as autoridades "podem também procurar perseguir o Credit Suisse por violação das regras de investimento nos mercados financeiros e falhanço de parar a alegada má conduta apesar da existência de 'bandeiras vermelhas'".

O banco, sublinham, "fica mal na fotografia", apesar de não ter sido acusado, "porque tem exposição e faz lembrar o problema de mil milhões de dólares do Goldman Sachs, mas em menor escala".

O valor de 100 a 300 milhões de dólares é encontrado somando as taxas e comissões, que o banco Credit Suisse teria de devolver, às penalizações em que pode incorrer se a Justiça norte-americana decidir ir atrás do banco suíço, dizia a Bloomerg Intelligence em janeiro.

Desde então, os três banqueiros assumiram ter agido em nome próprio e declararam-se culpados perante a Justiça norte-americana, que investiga uma fraude de 2,2 mil milhões de dólares relativamente a empréstimos a duas empresas públicas moçambicanas.

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